Discussão sobre a saúde mental
A discussão sobre a saúde mental voltou à tona essa semana depois que um homem de 30 anos, supostamente em surto paranoide por abuso de drogas, matou a própria mãe e três vizinhas em Londrina, após uma briga com a esposa. Ele havia apresentado indícios de instabilidade psíquica horas antes do crime e chegou a ser atendido em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Como aparentemente estava tranquilo, recebeu atendimento e foi liberado. A chacina ocorreu horas depois.
Fatos trágicos como esse costumeiramente levantam uma série de questões. No entanto, discussões sobre o caso à parte, o fato é que a sociedade não está preparada para lidar com doentes mentais. Primeiramente há a demora do diagnóstico. Seja por desconhecimento ou preconceito, os familiares, em muitos casos, demoram a buscar ajuda. Em seguida, vem a dificuldade do tratamento. O atual modelo, embasado pela lei Antimanicomial de 2001, eliminou a prática de internação do doente como medida primária. No lugar foi implantada uma rede de serviços de base comunitária, formada principalmente pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que já dão sinais de que não têm conseguido atender toda a demanda. O resultado, segundo representantes de entidades médicas, é a redução drástica dos investimentos na estrutura de saúde, baixa oferta de vagas para especialização em psiquiatria, o que consequentemente acarreta em deficit de profissionais. Sem capacitação adequada, médicos plantonistas dos prontos atendimentos não estão preparados para dar o diagnóstico correto. O resultado é que os doentes voltam para as ruas, o que pode resultar em sofrimento para os familiares ou tragédias, como ocorreu em Londrina.
O assunto merece uma discussão aprofundada. Os integrantes de setor (governo, profissionais e familiares) precisam reavaliar os prós e contras do atual modelo. Seja para direcionar mais investimentos ou para propor algumas modificações, o momento é este e não pode mais ser postergado.





