A julgar pelas declarações dos vereadores eleitos, Londrina poderá conhecer uma nova forma na relação entre Executivo e Legislativo a partir de 2013. Em reportagem publicada domingo pela FOLHA, 18 dos 19 parlamentares eleitos demonstraram estar dispostos a aceitar a proposta de mudança pregada pelo futuro prefeito Alexandre Kireeff (PSD) na forma de relacionamento entre os dois poderes.
Eleito por chapa pura e sem ter conseguido eleger qualquer vereador pelo seu partido, Kireeff defende uma ''relação institucional'' entre prefeitura e Câmara, bem diferente da oposição sistemática e da barganha de cargos que comumente se verifica não só em Londrina como no restante do País. A boa notícia não só para Kireeff, como também para a cidade, é que nenhum dos vereadores ouvidos pela FOLHA se declarou oposicionista. Pelo menos quatro parlamentares se mostraram simpáticos ao prefeito eleito e alguns até assumiram ter votado nele no segundo turno das eleições municipais, no último dia 28. Um ou outro deixou uma espécie de recado a Kireeff afirmando que a ''relação vai depender do próprio prefeito'', num claro sinal de falta de sintonia com o desejo de mudança manifestado pelo eleitor.
A maioria dos vereadores, no entanto, parece ter assimilado o recado das urnas no sentido de se construir uma nova mentalidade na correlação de forças entre Executivo e Legislativo. A Câmara deve sim fazer o seu papel de elaborar leis e fiscalizar as ações do Executivo, mas jamais fazer oposição gratuita. Londrina não pode mais ser vítima da velha política da compra de votos na Câmara para a aprovação de projetos e nem ver o Legislativo transformado num balcão de negócios. Fartos de escândalos de corrupção nos dois poderes, os londrinenses ansiam pela retomada do desenvolvimento da cidade. E isso só será possível, a partir de janeiro, se o discurso se transformar em prática.

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