Se o empresário puder fugir dos empréstimos de bancos, tanto melhor, mas ele necessita de dinheiro e não tem para onde recorrer. Então é obrigado a submeter-se à imposição de juros altos e fica prisioneiro da perversidade do sistema. Se não corre ao banco para busca do capital de giro de que necessita, pode entrar em crise e ver seu negócio ruir; se vai aos bancos, pode da mesma forma ser levado à inadimplência, porque é impossível a uma empresa sustentar-se pagando tão caro pelo dinheiro.
Mas, se os juros bancários são extorsivos ᖠo que leva a agiotagem paralela a operar no mesmo patamar ᖠleu-se ontem nos jornais que, mesmo assim, os bancos têm dado preferência a outros clientes e deixam de fora pequenos empresários. A denúncia é do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae), que mostra números: 62% dos 2.500 micro e pequenos empresários ouvidos, em todo o País, revelaram ter muita dificuldade em conseguir uma linha de crédito especial nos bancos, e assim muitos deles são enredados a utilizar o cheque especial, com os juros que já se conhece – um passo para o fechamento da empresa, pois é impossível tocar um negócio a esse custo financeiro.
Os bancos não fazem discriminação apenas com esses pequenos empresários, mas também com relação à idade, pois a situação piora para quem tem acima de 60 anos. Assim, cada vez mais, os bancos vão perdendo sua função social e derivam exclusivamente para a função do lucro. Se obter lucro é uma das metas de qualquer negócio, inclusive dos bancos, não se pode admitir que o façam operando na faixa da extorsão e da usura, em prejuízo da vida financeira da nação. A moeda é um ítem de segurança nacional, e retê-la ou cobrar por ela juros abusivos, é um crime tipificado como contribuição ao abalo do crédito.
Os bancos, especialmente neste governo, deixaram de ser um negócio como os demais, sujeitos à lei do mercado e da eficiência, para converter-se em instituições tão nocivas quanto as organizações do crime organizado, estas ao menos passíveis de desbaratamento, mas o sistema bancário triunfa intocado e por isso impune.

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