Disciplinamento na produção de etanol
Se o anunciado disciplinamento na produção de etanol (o combustível da cana e do milho) não se ocupa de regulamentar o equilíbrio do plantio por regiões e solos, há agora o indicativo de controle técnico e normativo, que padronizará e certificará esse produto. A certificação será possível graças ao projeto da empresa de pesquisa brasileira Triplo-A, que lança até final de julho esse programa de qualidade. Os usineiros terão conhecimento dele já nesta semana, durante o evento Novas Fronteiras do Etanol, organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e que se realizará em São Paulo.
O projeto etanol começa organizado e já cercado dessas garantias, porque tem a ver também com os mercados importadores. O programa tem reconhecimento transnacional, porque vinculado ao FoodPlus Eurepgap, empresa da União Européia que desenvolve protocolos de qualidade para as cadeias produtoras do agronegócio. O mercado externo exige não apenas qualidade mas também sustentabilidade de produção, o que com toda a certeza não será problema para o Brasil, que demonstra grande entusiasmo pelo negócio, agora ganhando intensidade, até face às políticas de despoluição ambiental, e porque dispõe de extensas áreas para aquelas duas culturas.
Mas o mundo desenvolvido e consciente dos problemas sociais dos países emergentes, Brasil incluído, penetra também nos meandros internos da legislação trabalhista e da proteção ao trabalhador, como condição para comprar determinados produtos. Este é um aspecto positivo na relação de negócios multilaterais, que se fixa na segurança do trabalhador (e a colheita da cana é uma tarefa árdua e de baixo ganho, no Brasil), na defesa do meio-ambiente - exigente de reflorestamento em eventuais áreas desmatadas - no bom uso da água, em boas técnicas de manejo e outros requisitos. Tudo isso irá figurar no rol de exigências para a padronização e a certificação.
Anuncia-se que o setor passará por vistorias constantes de organismos certificadores externos, dos Estados Unidos, Europa e Japão. A esses cuidados soma-se o controle, e esta é uma questão interna, que deve haver para que não ocorra excesso de produção de cana e milho para etanol e uma eventual queda de culturas alimentares, das quais o Brasil é também grande produtor e exportador. Embora este País seja pioneiro na produção de álcool carburante, só agora o setor ganha impulso, até pelo aceno do mundo em modificar fontes de energia. Por isso deve agir com sensatez, para não exceder-se em entusiasmo com o etanol e eventualmente desprezar sua tradição de produtor de alimentos.





