DISCIPLINA QUE COMPENSA - Os organizados vivem mais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de março de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Pesquisa feita por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere: pessoas organizadas, que optam pela disciplina em seu dia a dia, tendem a viver mais. Por correrem menos riscos e apostarem em carreiras e relacionamentos sólidos, os disciplinados deram um nocaute naqueles que optam pela impulsão, vivendo quatro anos mais.
Mas até que ponto a organização compensa? Como manter a disciplina na sociedade do lucro, da pressa e dos prazos? Para a psicóloga londrinense Clarice Montosa, a equação é simples: uma boa agenda, sorriso no rosto e muita paciência incluem-se no cronograma.
Nas crianças a disciplina deve ser incutida desde as primeiras fases da infância. Os pais precisam impor limites e regras que, potencialmente, podem afastar os filhos, quando jovens, do álcool e das drogas. ''A disciplina é um padrão social altamente valorizado e importante para o bem-estar do ser humano'', sustenta a psicóloga.
Até que ponto a organização é saudável?
Desde que você a realize com prazer e proporcione satisfação pessoal e bem-estar. A partir do momento em que a organização e disciplina se tornam regras rígidas, inflexíveis e geram comportamentos e condutas inadequadas, a ponto de se tornarem exageradas, fogem do padrão de normalidade e deixam de ser saudáveis.
As pessoas disciplinadas de fato tendem a ser mais felizes? Há uma explicação?
Não necessariamente. Pessoas disciplinadas tendem a ter maior autocontrole e serem mais organizadas. Por tabela, assumem menos riscos e por isso podem ter menos ''problemas''. Sendo assim, podem viver melhor, terem relacionamentos mais estáveis e se sentirem mais seguras por isso. Não se trata de uma regra, ressalte-se aqui. De um modo geral, parte-se do princípio de que somos seres sociais e enquanto sociedade devemos nos enquadrar em padrões e regras. Portanto, a disciplina é um padrão social altamente valorizado e importante para o bem-estar do ser humano. Mas necessariamente o inverso não é verdadeiro, depende do padrão educacional e familiar de cada indivíduo.
A bagunça é sinônimo de estresse?
Com a correria do dia a dia algumas pessoas acabam deixando de realizar atividades e vão acumulando tarefas. Nesse caso, a bagunça pode gerar estresse. O estresse está a cada dia mais presente em nossas vidas, por conta da agitação dos tempos modernos, podendo causar danos à saúde física e mental. Certamente o estresse diminui a qualidade de vida e reduz os sentimentos de prazer e realização. É importante aprender a lidar com ele, não permitindo que traga consequências negativas para a nossa saúde.
Como orquestrar as atividades sem ''pirar''?
Existem várias opções, uma delas seria organizar no dia anterior o que precisa ser feito, como horários, obrigações e suas prioridades. Sempre, claro, respeitando limites pessoais e interpessoais.
As reações são diferentes para homens e mulheres? Elas tendem a ser mais organizadas?
Sim, as diferenças são cientificamente comprovadas entre o sexo feminino e o masculino. Mas o fato de as mulheres serem mais predispostas à organização já não é determinante hoje em dia, pois, socialmente, essas diferenças têm sido cada vez menores e esse comportamento está mais associado ao padrão educacional ou à história de vida de cada um.
A disciplina afasta as pessoas do álcool e das drogas, por exemplo, como trouxe recente pesquisa? Por quê?
Segundo a pesquisa, pessoas conscienciosas, isto é, que têm maior autocontrole, diligência e organização, vivem uma vida com melhores hábitos de saúde e assumem menos riscos, portanto, têm menos chance de serem fumantes ou beberem em excesso e vivem vidas mais estáveis e com menos estresse. Desta forma, a disciplina pode afastar as pessoas das drogas e do álcool, mas não é regra, cada um tem uma história de vida diferente e deve ser avaliado individualmente.
Como incutir a disciplina no cotidiano das pessoas? Tarefa difícil, não?
A disciplina deve ser incutida na criança desde as primeiras fases da infância, por intermédio de adultos responsáveis e pelo processo educacional. Nos adultos, o processo se torna mais complexo, necessitando, muitas vezes, de ajuda profissional específica. As pessoas podem se tornar mais conscienciosas, por exemplo, quando conseguem trabalhos estáveis e bons relacionamentos.


