Fortaleza - O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) disse ontem em Fortaleza que o programa de Aids do Brasil não só é um exemplo para o resto do mundo, como também não tem paralelo em qualquer outro país. ‘‘Não conheço outro lugar onde haja uma prevenção tão ativa, com a participação da comunidade, e ao mesmo tempo exista a provisão gratuita do tratamento para todos’’, disse Piot. O diretor do Unaids acrescentou: ‘‘Não falo isto em todos os países que visito’’.
Piot participou de um painel sobre Aids junto com o candidato à presidência José Serra, senador pelo PSDB e ex-ministro da Saúde. Serra fez uma apresentação sobre as razões do sucesso do programa brasileiros de combate à Aids.
Ele observou que o Brasil, hoje com cerca de 600 mil casos de infecção pelo HIV, chegou a 2000 com menos da metade dos casos previstos por um estudo do Banco Mundial, que falava em 1,2 milhão na virada do milênio. Recentemente, segundo Serra, a infecção começou a desacelerar, com a queda de 25% de novas infecções de 2000 para 2001 – de 20 mil para 15 mil. A queda da mortalidade, com a introdução da política de provisão generalizada e gratuita de anti-retrovirais ao longo dos anos 90, foi de 50%.
Serra ressaltou também a descentralização e participação da sociedade civil no programa. O governo entrega o coquetel para 113 mil doentes por meio de 424 unidades de distribuição com acompanhamento, envolvendo 600 ONGs, que recebem US$ 10 milhões por ano em 1,6 mil convênios.
Outro aspecto da estratégia foi a fabricação de oito anti-retrovirais não protegidos por patente no Brasil, e a queda-de-braço com multinacionais farmacêuticas, usando o recurso de ameaçar o licenciamento compulsório, que levou à reduções de 40% a 64% no custo de quatro anti-retrovirais importados.
O diretor do Programa Nacional de Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis do Brasil, Paulo Teixeira, fez fortes críticas à abordagem do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no combate à Aids. ‘‘O que o BID está fazendo é tímido, parcial e está em total descompasso com a gravidade e o ritmo da epidemia na região’’, disse Teixeira.

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