O PT inova mais uma vez na maneira de fazer política e radicaliza na democracia interna partidária. No dia 16 de setembro, os filiados de todo o País elegerão por voto direto e secreto as direções zonais, municipais, estaduais e nacional e seus respectivos presidentes, os Conselhos Fiscais, as Comissões de Ética e os delegados aos encontros do partido. Com isso, acaba-se com a eleição indireta dos dirigentes e estimula-se a participação dos petistas desde os grandes centros urbanos até os mais longínquos rincões do Paraná e do Brasil.
O respeito pela democracia é tradição no partido. O PT foi pioneiro na consulta aos filiados para definir a sua posição sobre a escolha da forma de governo num plebiscito interno que decidiu, na época, pelo presidencialismo. Também inovou quando deliberou no 1º Congresso Nacional que as instâncias partidárias devem conter, obrigatoriamente, 30% de mulheres, garantindo um espaço para tratar da questão de gênero e resgatar a participação das mulheres na política e nas decisões da vida pública.
Agora, através do Processo de Eleições Diretas (PED), o partido rompe com a escolha artificial das direções partidárias e aponta para um novo rumo na construção de um partido amplo, plural e que tenha a democracia como programa e princípio, meio e fim. Para garantir isto, debates entre as chapas e os candidatos a presidente de todos os níveis irão ocorrer antes das eleições diretas.
Com certeza, o debate sobre o futuro do PT vai extrapolar a esfera interna e vai ganhar as ruas, porque interessa à sociedade conhecer e aprofundar seu conceito sobre um partido que se coloca como alternativa real de poder. O cidadão comum, não filiado ou não militante, sequer simpatizante do PT, vai ter, no mínimo, a curiosidade de saber um pouco mais das idéias e do perfil de quem vai estar conduzindo o partido na sua escalada para ganhar as eleições de 2002 e devolver a esperança de que um outro País é possível.
O PED não será o ‘‘Eldorado’’ petista ou uma tábua de salvação para a esquerda, mas será o primeiro passo na consolidação de um projeto de renascimento democrático que começa dentro do PT e passará a influenciar no modo de fazer política dos demais partidos.
Fazer política no século XXI implica na modernização das relações partidárias e humanas, sem os velhos vícios do passado, herança da cultura colonial, monárquica, escravista e patriarcal da sociedade brasileira. Os partidos políticos deixarão de ser feudos de alguns senhores e passarão a conviver com o movimento dialético da contradição e do contraditório vindo das bases, que fará avançar o conceito e a noção de que a política não é o mal em si, nem uma ferramenta para a redenção absoluta dos males da terra, mas o caminho na busca de algo melhor para o conjunto da sociedade.
Os partidos que não mudarem ficarão ultrapassados; as legendas de aluguel e as agremiações menores, sem tradição política, estão com os dias contados. O mundo da política é cada vez mais competitivo, só que a produtividade não é avaliada apenas por números de governadores, prefeitos ou parlamentares eleitos, mas pelo crivo da qualidade e da ética de seus representantes e pela ação programática partidária.
Os eleitores já entenderam isto e deram um claro recado nas urnas nas eleições municipais de 2000, e continuam a exigir uma mudança de postura dos agentes políticos. O PT assimilou a mensagem e sai na frente, dando o exemplo e provando que apostar na democracia como valor estratégico faz a diferença.
- ANDRÉ VARGAS é vereador em Londrina e presidente do PT/PR

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