Direitos Humanos só para criminosos
É sabido que quando epidemias dizimam apenas pessoas comuns nada acontece, mas se alguém que se destaca pela indissociável tríade fama, dinheiro e poder é atingido, então o mal é notado e medidas são precipitadas para que a doença seja combatida de alguma forma.
No Brasil vivemos uma epidemia de criminalidade sem precedentes, mas foi preciso o sequestro da filha de Silvio Santos e depois o padecimento do comunicador nas mãos do mesmo bandido; os assassinatos de dois prefeitos do PT (as mortes de políticos de outros partidos não suscitam choro e ranger de dentes); e o sequestro de Washington Olivetto, rico e famoso publicitário, para que providências fossem tomadas e a polícia agisse (temporariamente?), inclusive estourando cativeiros de sequestrados não famosos que sofriam da mesma brutalidade.
Milhares de páginas já foram escritas sobre as causas da violência em nosso País e não vou voltar ao tema, exceto para lembrar a impunidade que parece fazer parte de nossa cultura tanto quanto a corrupção, o populismo, o estatismo, o nacionalismo exacerbado e outras mazelas originadas da nossa embriogenia defeituosa. E sobre a impunidade, é significativa a quantidade de filmes onde bandidos, depois de roubar, matar e estripar em seus países de origem, dizem com a maior candura: agora vamos para o Brasil.
Parecendo repetir a fala dos astros do cinema, César Quiróz, fundador da Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) e hoje comandando o Movimento Patriótico Manuel Rodrigues (MPMR), afirmou em entrevista ao O Estado de S. Paulo, ao ser perguntado do porquê das organizações revolucionárias e terroristas escolherem o Brasil para o sequestro e não outros países da América Latina, que é melhor o Brasil, porque há pessoas com muito dinheiro. É melhor o Brasil, por causa de sua segurança pública, que tem falhas e pode ser rompida com maior facilidade, e existem brechas na lei.
Diante da opinião deste treinador guerrilheiro de chilenos e cubanos, será que não se pejam nossas autoridades? Onde estão nossos Poderes constituídos, nossos legisladores, nossas leis eficazes? Como fica nossa segurança, dever máximo do Estado para com todos os cidadãos? Não basta esporadicamente fazer bonito porque gente importante foi atingida pela bandidagem nacional e internacional. E olha que nossos jornais se cobriram de críticas aos Estados Unidos, apontando que seus meios de defesa foram insuficientes para proteger a população dos fanáticos homicidas que lá atacaram. Imagina se a coisa fosse aqui, não ia sobrar em pé nem o Pão de Açúcar.
No sequestro de Olivetto, infelizmente, ficou demonstrada a verdade contida na ficção dos filmes e nas palavras de Quiróz. Ele ainda disse acreditar que o sequestro do publicitário, liderado pelo também chileno Mauricio Hernández Norambuena que possui uma longa ficha de assassinatos, atentados e sequestros, faz parte de uma estratégia para erguer o movimento revolucionário e a própria Frente do Chile. Mas quanto a esse ponto, muita gente discorda por entender que as ações criminosas dessa neoesquerda latino-americana está mais para a ideologia pecuniária particular do que para altos ideais coletivos.
Seja como for, agora chegam ao Brasil as irmãs de Norambuena e do seu comparsa Alfredo Canale. Vieram acompanhadas de um advogado e da senhora Dolores Lopez, representante da Organização de Defesa Popular (Odep), uma entidade de direitos humanos do Chile. Preocupada com o bem-estar dos criminosos, ela alegou que o Brasil foi condenado pela Anistia Internacional por violação de direitos. Só não sei aonde estava essa senhora que não veio ver as condições de Olivetto. Ele passou 53 dias num cubículo quase sem ar e foi torturado brutalmente física e psicologicamente. Será que direitos humanos só existem para criminosos?
Que desta vez não me venham Lula, Suplicy, Greenhalgh, comissões de direitos humanos do PT, comissões de anistia, não sei quantas mais ONGs e parte da Igreja, pedir para soltar os coitadinhos dos bandidos. Por estas e por outras estamos nessa situação que até os filmes retratam para nossa vergonha. É preciso que se dê uma basta nisso. Chega de frouxidão nesse País.
MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA é socióloga, escritora e professora universitária em Londrina.





