Bom que o deputado federal Luiz Carlos Hauly se interesse pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Espera-se também que defenda os direitos do patrão. A nova ocupação do parlamentar, agora, será distribuir cartilhas contendo os direitos dos empregados. Discutível porque trabalhadores já têm quem defenda seus direitos. Até porque os sindicatos não fazem outra coisa senão pensar direitos, que nem sempre são tão direitos. A aplicação da lei precisa ser debatida. Direito do trabalhador é sagrado. Mas não é justo, por exemplo, que patrões já entrem nas salas de audência como réu.
  Tanto quanto os trabalhadores, outra importante extremidade nas relações de trabalho é a do empregador, mas poucos levam isto em conta. Se o empresário que ousa implantar uma empresa - neste país de tanta burocracia e de tanto risco e peso tributário -, é o que gera emprego e dinamiza a economia, é preciso contemplá-lo tanto quanto o seu empregado. Mas nem os políticos e nem os julgadores - que proferem sentenças trabalhistas - têm muita noção de que os dois segmentos são interdependentes e que um não se sustenta sem o outro.
  Se impera o conceito equivocado de que as empresas – especialmente as grandes – exploram trabalhadores, os que empregam são na maioria pequenos e médios empresários, tão trabalhadores quanto a massa operária, porque trabalham junto, arcam com o compromisso de honrar salários e encargos, e enfrentam a inflexível e leonina lei trabalhista, mas eles próprios lucram pouco no fechamento das contas. A preocupação dos parlamentares – e de Hauly especificamente, por despontar agora com essa cruzada – deveria ser com a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho, que tem 60 anos de existência e é a mesma criada por Getúlio Vargas. E não só porque é antiga mas porque é inadequada e exige adaptações para cada categoria de trabalho.
  Foi o próprio ex-presidente do Superior Tribunal do Trabalho, Almir Pazzianotto, quem declarou recentemente que a CLT é uma das coisas que parecem santificadas e têm um halo de intocáveis. Certo é que todos temem os sindicatos de trabalhadores, porque estes, com sua estreita visão, imaginam que mexer na lei trabalhista é tirar direitos dos trabalhadores. O que acontece é o contrário, porque o rigor da legislação inibe empregos, pelo temor das ações e pesadas indenizações, capazes de colocar uma empresa na falência, eis que os direitos invocados são no mais dos casos verdadeiras aberrações.
  A energia que agora o deputado Luiz Carlos Hauly irá gastar com a confecção e distribuição das cartilhas poderia ser destinada também num estudo de reforma da atual lei do trabalho – uma exigência das diferentes modalidades de trabalho – mas que nenhum partido e nenhum parlamentar ousam tocar.

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