A falta de saneamento básico afeta diretamente a qualidade de vida e pode ser fatal. Estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que o problema provoca R$ 1,6 milhão de mortes de crianças por ano. O Paraná, porém, é um dos Estados com melhor estrutura. E Londrina se destaca, por contar com o 13º melhor serviço de rede de esgoto e abastecimento de água do País, de acordo com o Ministério das Cidades. Ainda assim, nem todos os londrinenses têm acesso a água potável, esgoto tratado e coleta de lixo.
De acordo com a engenheira civil Sandra Márcia Cesário Pereira da Silva, pós-doutora em tratamento de águas residuárias, o Brasil precisa de planejamento estratégico e de uma mudança de cultura para alcançar melhores níveis de qualidade no saneamento. ''É preciso rever valores culturais herdados e aprimorar o modo de vida no sentido de reduzir os impactos negativos sobre a natureza. Isto só será realidade se conseguirmos realmente despertar a consciência da sociedade'', afirma.
Qual é a importância de um sistema de saneamento básico eficiente para a qualidade de vida?
Constituem sistemas do saneamento básico o abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgoto sanitário, a limpeza urbana e a drenagem urbana. Mas não basta possuir os sistemas, é preciso que sejam eficientes nos atendimentos qualitativo e quantitativo. Para se proteger a saúde, é necessária a inserção do saneamento no planejamento territorial, considerando a interação do uso do solo, tradicionalmente a chave do planejamento urbano, com o sistema de abastecimento de água, coleta e disposição de esgoto, drenagem, transporte, coleta e disposição de resíduos, poluição do ar, do solo e da água. Enfim, os fatores que afetam a vida no planeta.
Qual a situação de Londrina e região em termos de saneamento?
Quanto ao abastecimento de água, a Sanepar já providencia a segunda etapa da Estação de Tratamento de Água Tibagi. Mas é fundamental implantar um sistema de gerenciamento do lodo gerado no processo, assim como um monitoramento mais intenso de algas e toxinas. Hoje, os sistemas de tratamento de esgoto implantados na cidade apresentam baixo consumo de energia e de produção de lodo.
No tocante a sistemas de drenagem, é necessário estabelecer alternativas de controle de enchentes como pavimentos permeáveis, reservatórios de detenção de água pluvial, trincheiras e valas de infiltração, entre outros.
Quais as consequências da falta de saneamento para as famílias?
Falta de saneamento influencia a saúde em todas as fases da vida. E as crianças são mais vulneráveis porque, comparando-se o peso corporal, consomem água, alimentos e ar em maior proporção que o adulto. Existem também perdas econômicas, pois os doentes deixam de trabalhar e demandam atendimento médico e internações hospitalares. Famílias de baixa renda são as mais afetadas, por ocuparem áreas irregulares e estarem muito afastadas da malha urbana. Se influi na saúde, consequentemente irá influenciar na educação, tanto na aprendizagem como na formação educacional e cultural de uma sociedade consciente e bem informada.
Qual o custo médio do saneamento para os governos e o impacto desses investimentos no orçamento das cidades?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cada dólar gasto em melhoria das condições sanitárias resulta num benefício econômico de US$ 7. Segundo estudo da Fundação Nacional de Saúde, de 2004, 68% das internações na rede hospitalar pública eram decorrentes de doenças provocadas por água contaminada, cujo atendimento apresentava um custo mensal de R$ 250 milhões ao Ministério da Saúde. Cerca de R$ 180 bilhões deveriam ser investidos no Brasil.
Quais as principais mudanças introduzidas pela recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos na questão do saneamento?
A lei aprovada em agosto tem uma contribuição educacional significativa. Destaca diretrizes relacionadas à gestão integrada e ao gerenciamento dos resíduos sólidos. Uma das inovações é o compartilhamento de responsabilidades pelo ciclo de vida dos produtos, considerando responsáveis não só empresários, mas importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Empresas responderão por resíduos da fabricação e comercialização de produtos. A lei também incentiva a indústria da reciclagem, fomentando o uso de materiais recicláveis e reciclados, e estabelece prioridade nas aquisições e contratações governamentais para o emprego desses produtos em serviços e obras. Determina ainda o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas de recicladores.
O que ainda dificulta o acesso ao saneamento básico?
A escassez de recursos financeiros, de consciência e de planejamento e de vontade política. Outra questão é participação ativa da população, que no papel de cliente pode contribuir na tomada de decisões e no monitoramento da qualidade dos serviços prestados pelas companhias e serviços autônomos de saneamento. No entanto, essa é uma realidade que depende da consciência, educação e cultura da população.
Serviço - Estão abertas as inscrições para a Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Saneamento, no Centro de Tecnologia e Urbanismo, do departamento de Construção Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mais informações nos telefones (43) 3371-4727 ou 3371-4470, no e-mail [email protected] ou no site www.uel.br/pos/enges.

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