Direito à greve e interesses
A Constituição Federal, em seu artigo 9º, assegura o direito de greve aos trabalhadores. Compete à categoria profissional decidir sobre a oportunidade de exercer o seu direito e os interesses que irá defender. O direito é garantido e, no caso dos bancários, anualmente a paralisação tem data. Em setembro, já é público e notório que os trabalhadores cruzarão os braços e que a população terá que se organizar para cumprir com as obrigações bancárias.
No entanto, neste caso, alguns fatores têm chamado atenção. A greve, que já dura 16 dias, é a mais longa dos últimos 20 anos. Algumas rodadas de negociação ocorreram entre os dois sindicatos apenas antes da paralisação ser iniciada. De um lado os trabalhadores pedem reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real, mais ampliação de benefícios), enquanto o patronal ofereceu correção de 6,1%, índice abaixo da inflação do período. Não houve nenhuma contraproposta.
Ontem, mais um elemento "entrou" no cenário. A Confederação Nacional de Dirigentes Logistas encaminhou carta à Federação Brasileira de Bancos para pedir um acordo "imediato" entre as partes. O temor dos comerciantes é que a paralisação provoque redução de até 30% nas vendas, caso se prolongue até o quinto dia útil do mês. Vale lembrar que no dia 12 de outubro (feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil) é comemorado também o "Dia das Crianças", data importante para o varejo.
No caso de Londrina, comerciantes afirmam já contabilizar prejuízos. Além disso, há registro de falta de moedas para troco, fato corriqueiro antes mesmo do início da paralisação. Por enquanto, clientes de bancos não têm enfrentado muitas dificuldades: há dinheiro disponível nos caixas eletrônicos, os depósitos têm sido efetuados normalmente, enquanto outras operações podem ser feitas via meio eletrônico. O problema fica para pessoas que não têm conta bancária (geralmente de classes sociais mais carentes) e para os aposentados, uma vez que muitos deles têm dificuldades em lidar com as máquinas de autoatendimento.
O que já torna esta greve a mais longa dos últimos 20 anos? Talvez a perspectiva de crescimento da inflação, fator que ainda gera preocupação à equipe econômica. Com menos dinheiro em circulação, cai a demanda e os preços param de subir. Talvez, a paralisação esteja ocorrendo em um momento importante e esteja sendo usada como uma "relevante aliada" do governo. Com a palavra os sindicatos.





