A semana política no Paraná modificou, de forma abrupta, um cenário que parecia relativamente previsível até então. A decisão de Ratinho Junior de retirar seu nome da disputa presidencial rompeu expectativas dentro do PSD e, mais do que isso, reposicionou o tabuleiro estadual ao abrir espaço para um movimento que acabou por beneficiar diretamente Sergio Moro.

A recusa anterior de Ratinho a compor como vice na chapa de Flávio Bolsonaro já indicava uma estratégia de preservação política. Ao desistir da corrida nacional, o governador opta por concentrar capital político no Paraná, onde mantém elevados índices de aprovação. Ainda assim, o gesto criou um vácuo que o PL tratou de preencher rapidamente ao atrair Moro.

A filiação de Moro ao PL, partido de Jair Bolsonaro, tem peso simbólico e estratégico. De um lado, consolida a tentativa de criar um palanque competitivo para Flávio no Estado; de outro, reabre feridas mal cicatrizadas desde a saída conturbada do ex-juiz do Ministério da Justiça. A reação não tardou: a desfiliação de Fernando Giacobo e a debandada de dezenas de prefeitos evidenciam que a base bolsonarista local não é homogênea e, sobretudo, que ainda há forte lealdade política a Ratinho Junior.

Embora Moro carregue o capital eleitoral do bolsonarismo, sua capacidade de articulação política no Paraná ainda é uma incógnita. Ele entra na disputa com densidade junto ao eleitorado ideológico, mas sem uma rede consolidada de lideranças municipais, fator historicamente decisivo em eleições estaduais.

Do outro lado, Ratinho Junior joga com o tempo. Ao adiar a definição de um sucessor, mantém coesa sua base e evita antecipar conflitos internos. No entanto, essa estratégia não é isenta de riscos. Ao retardar a escolha, o governador pode permitir que Moro ocupe, sem contraponto claro, o espaço da direita no imaginário do eleitor, especialmente em um Estado onde esse campo político é majoritário.

Nesse cenário fragmentado, candidaturas como a de Requião Filho, pela esquerda, e Rafael Greca, em posição intermediária, surgem como peças que correm por fora conforme o conflito entre antigos aliados se intensifica. A tendência é de uma eleição mais aberta do que se projetava, com múltiplos polos disputando espaço, embora o franco favoritismo se mantenha entre o escolhido por Ratinho Junior e Moro.

O que esta semana deixou claro é que o Paraná entrou, de fato, em modo eleitoral. E, ao contrário de ciclos anteriores, não há mais uma hegemonia tranquila no campo governista. O embate entre Ratinho Junior e Sergio Moro inaugura uma disputa em que força eleitoral e capacidade de articulação política serão testadas em igual medida, e onde erros de cálculo, neste momento inicial, podem custar caro mais adiante.

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