Direita arrasa nas eleições da França
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domingo, 16 de junho de 2002
Agência Efe 
Paris - A direita obteve um resultado arrasador no segundo turno das eleições legislativas da França, que foi realizado ontem, e terá maioria absoluta na Assembléia Nacional (câmara dos deputados), segundo as pesquisas de boca-de-urna.
Os direitistas, que estão sob a hegemonia da União pela Maioria Presidencial (UMP), do neogaullista Jacques Chirac, recentemente reeleito presidente, devem ocupar entre 385 e 399 das 577 cadeiras da câmara da XII legislatura da V República.
A esquerda deve ter entre 178 e 193 cadeiras, segundo as pesquisas divulgadas logo após o fechamento dos colégios eleitorais. Assim, pela sexta vez seguida desde 1981 os franceses preferiram a alternância no poder. Na Assembléia Nacional em fim de período, a esquerda ocupava 319 cadeiras e a direita, 258.
Segundo as pesquisas, a UMP deve ocupar entre 370 e 378 cadeiras superando amplamente a maioria absoluta de 289 deputados , enquanto a centro-liberal União pela Democracia Francesa (UDF), de François Bayrou, deve conseguir entre 21 e 25.
Na esquerda, o Partido Socialista e os Radicais de Esquerda devem conseguir entre 153 e 156; os Verdes, entre 1 e 2, e o Partido Comunista, entre 20 e 25. A ultradireitista Frente Nacional obteria, no melhor dos casos, uma cadeira, segundo as primeiras pesquisas.
Nesta quarta votação em dois meses, a abstenção bateu um recorde histórico, chegando a entre 38 e 39 por cento, segundo os institutos de pesquisa, batendo com folga a máxima do 35,59% registrada no primeiro turno das Legislativas, no domingo passado.
Nesse dia, a direita venceu com 43,6% dos votos, contra 36,02% da esquerda. A ultradireitista Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen, sofreu um forte retrocesso, assim como os principais aliados do Partido Socialista.
Diante de uma derrota inevitável, a esquerda pediu na semana passada a seus eleitores e aos abstencionistas que fossem em massa às urnas a fim de evitar um desequilíbrio muito grave para nossa democracia.
Um total de 519 cadeiras foram disputadas ontem, pois as primeiras 58 foram ganhas no primeiro turno. Destas, 56 foram conquistadas pela direita e apenas duas pelos socialistas.
Principal causa - O triunfo arrasador da direita no segundo turno das eleições legislativas francesas de ontem foi atribuída por vários líderes à recente reeleição do neogaullista Jacques Chirac como presidente da França.
A reeleição de Chirac, em 5 de maio, criou uma dinâmica, disse o ex-primeiro-ministro (1995-97), o também neogaullista Alain Juppé, que foi reeleito ontem.
O bom resultado da direita, disse Juppé com modéstia, reflete também o efeito do primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, a quem Chirac confiou as rédeas do Governo no dia 6 de maio.


