Em artigo publicado pelo jornalista Sérgio de Cristo no Espaço Aberto na última segunda-feira, criticou-se a decisão da juíza paulista Carla Abrantkoski Rister sobre a não obrigatoriedade da formação universitária para jornalistas. A juíza argumentou que ''formação cultural sólida e diversificada'' necessária ao jornalista pode ser obtida não apenas em faculdades, mas pelo ''hábito da leitura'' e pelo ''exercício profissional''.
Acredito que formação universitária se faz necessária em alguns casos, por exemplo medicina não se pode levar um cadáver pra casa e tentar aprender anatomia na garagem.
Mas no caso do jornalismo a exigência do diploma serve muito mais como reserva de mercado do que instrumento para garantir a qualidade dos profissionais.
As faculdades de jornalismo despejam no mercado bons jornalistas junto com aqueles que se detêm em glorificar elites, achincalhar ladrões de galinha ou ainda entupir livrarias com alfarrábios de auto-ajuda. Foi pra isto que ficaram lá quatro anos?
Se o diploma é indispensável por que o sindicato dos jornalistas promove sessões para regulamentar profissionais não formados? Há exceções? Por quê?
Creio que o vetor na profissão de jornalismo é a capacidade. Foi pela capacidade e não pelo diploma que Carlos Drumond de Andrade, Nelson Rodrigues, Carlos Lacerda, Assis Chateubriand figuraram brilhantemente na imprensa brasileira.
Mas os defensores do diploma argumentam que o jornalista assume responsabilidades! Será? Tome como exemplo o caso dos proprietários da Escola Base que tiveram a imagem destruída após a espetacularização irresponsável das matérias sobre a investigação de que teriam abusado sexualmente de seus alunos. Provou-se, depois, que os ''acusados'' eram inocentes.
Qual jornalista foi responsabilizado? Qual jornalista responsabilizou-se? O que o sindicato dos jornalistas disse à sociedade brasileira?
Publicam-se barrigas enormes, erratas microscópicas. O direito de se expressar é universal e inalienável, a exclusão por motivos pífios como a reserva de mercado ou formação de uma pretensa elite intelectual é inaceitável num país que se diz democrático.
Aliás, Luiz Inácio Lula da Silva é formado em quê?
MÁRCIO AMÉRICO ALVES é poeta (sem diploma) em Londrina

mockup