Desde os bons tempos estudantis ouvi uma pregação permanente sobre a democratização do ensino de terceiro grau. Quer dizer, há necessidade de se possibilitar a todos o ingresso na faculdade e a obtenção do diploma que, hipoteticamente, habilitará ao jovem um melhor lugar na sociedade e no mercado de trabalho.
Manifestações como tais sempre mereceram os aplausos gerais, sobretudo pela razão de que a maioria dos estudantes provém das classes menos favorecidas e, assim, com o esforço generalizado poderiam galgar o ensino superior.
Para tanto, seria necessário que se criassem novas faculdades, que se dobrassem o número de vagas em carreiras importantes. Há anos todos sonhavam com medicina, engenharia, direito, principalmente os pais. Os avanços tecnológicos, felizmente, estão levando a juventude a procurar outras opções, muitas das quais, além de bem situadas face ao futuro, respondem aos anseios profissionais de cada um.
Pois aos poucos o objetivo está sendo alcançado. Só que abusaram. Está havendo uma enxurrada de cursos, surgindo faculdades de todos os lados e a formação de universidades a três-por-dois. Até há pouco, limitávamos nós do Paraná com a tradicional universidade federalizada na década de 50, a PUC, as estaduais de Ponta Grossa, Londrina e Maringá. E estas três sendo mantidas pelo governo do Estado, quando outras unidades da federação, como o Rio Grande do Sul, conseguiram que os encargos passassem para a responsabilidade da União.
Então, grassam as faculdades e as universidades. Os cursos estão aí, sendo oferecidos em peças publicitárias. Direito, jornalismo, publicidade e propaganda, para citar-se apenas alguns, são tão banais que se encontram em qualquer esquina, não importando que os respectivos mercados estejam saturados.
O pior, entretanto, são as suspeitas sobra a realização de um vestibular retardatário, quando coincidentemente sobrenomes importantes figuram com destaque na relação dos aprovados, fato que é alvo de uma investigação. E mais, universidade recentemente aprovada já tem diante de si uma comissão do Ministério da Educação investigando sua própria concessão.
Tudo lamentável, a partir de que não se democratiza nada, uma vez que as mensalidades são caríssimas, não sendo acessíveis a uma importante camada da população. E, formando-se, como acontece, milhares de jovens nas mesmas carreiras, vai-se encontrar diplomas só emoldurando as salas de visita de cada um dos formandos.
Trabalho na área, que é bom, nem pensar.
Há qualquer coisa errada nisso tudo, a partir da frouxidão da criação dos cursos e suas faculdades e universidades. O MEC está um pouco distante destas linhas e deste veículo, mas alguns de nossos homens importantes poderiam tomar a incumbência de estudar o assunto. Mais cedo ou mais tarde eles serão chamados a responder pela omissão de hoje e, talvez até, a conivência.
- AYRTON BAPTISTA é jornalista é Curitiba.

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