Diploma, pra que diploma?
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de fevereiro de 2003
Sérgio de Cristo 
Até alguns anos atrás, o que valia para a pessoa conquistar uma vaga em uma empresa era a qualificação como profissional. Nem precisava ser especializado na função oferecida ou pretendida, bastava ser dedicado e ter vontade de realizar o serviço e aprender o maior número de funções possível. O sujeito tinha é mesmo que ser ''pau pra toda obra''.
A todo instante ouvimos alguém contar que começou a vida como office-boy, porteiro, motorista e até como limpador de piscina, que foi meu caso.
É lógico que o funcionário tem que entrar com a competência e a empresa tem que ter boa vontade em dar oportunidade a todos.
As coisas mudaram um pouco e o que passou a valer é o QI (''quem indica''), mais ou menos como acontece na política. Tudo isto é passado, agora o que passou a valer mesmo é a especialização, Pois as empresas privadas já estão bastante profissionalizadas em seus departamentos de RH.
Em qualquer campo de atividade se exige o diploma. Ser graduado em algum curso universitário também não é mais suficiente. Para se conseguir um ótimo emprego e mesmo para promoções, o melhor é ter especialização e, se possível, mestrado e doutorado.
Mas se estou defendendo tanto assim o diploma por que este título? Em 2001, a juíza Carla Rister, de São Paulo, proferiu sentença que não mais seria necessário o diploma para a profissão de jornalista. Só isto já é um absurdo, mas o pior foi a fundamentação da ''digníssima'' magistrada. Nela a juíza alega ''quem escreve não pôe em risco vidas''. Muito bacana!
O Fernandinho Beira Mar não tem diploma e vive matando (ou mandando matar) um montão de gente. Se esta argumentação tem força de decisão, para ser juiz, ou juíza, não precisa de diploma também, pois, bastaria que as pessoas conhecessem bem as leis e a Constituição brasileira e pronto, poderiam dar sentenças, ainda mais que em nosso País não existe a pena de morte. Muito pior é ter diploma e deixar à solta traficantes, assassinos, ladrões, etc.
Louve-se a campanha que o Sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas vêm fazendo sistematicamente em favor da exigência do diploma para profissionais da área. ''Sou jornalista por formação''.
Não é o diploma que vai nos transformar em bons ou maus jornalistas, mas sim colocar cada um em seu devido lugar, ou por acaso os engenheiros gostariam que nós jornalistas fôssemos dar palpites na construção de edifícios?
Como disse Joseph Pulitzer, ''jornalista não nasce, se faz''. Eu aproveito a frase do mestre e complemento ''...e a universidade o diploma'' .
SÉRGIO DE CRISTO é publicitário, radialista e formado em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná


