As campanhas políticas se sustentam com muito dinheiro, e é assim também nas grandes democracias, mas no Brasil o poder econômico se presta igualmente para a compra direta e individual do voto, porque há um contingente eleitoral propenso a aceitar essa condição, em face do estado de miserabilidade em que vive. Não se pode exigir politização de um cidadão cujo sentimento mais forte se manifesta no estômago. Disso se valem os políticos sem grandes argumentos, alguns até envoltos em denúncias de corrupção mas com suporte financeiro suficiente para seduzir o eleitor carente e ganhar-lhe o voto.
Esta é uma realidade incorporada à cultura do submundo em que vicejam milhões de brasileiros, desiguais no nível de vida mas iguais quanto ao valor de seu sufrágio. Mas não apenas os socialmente carentes e sim também considerável parcela de cidadãos que, sem nenhuma motivação patriótica e descrentes dos políticos que fazem do cargo eletivo um rendoso negócio ábarganham o voto até por pequenas vantagens.
E agora lê-se neste jornal que os políticos paranaenses estão se queixando que o dinheiro escasseia para a campanha, porque o empresariado, sempre o mais solicitado, está relutando em contribuir com os candidatos, pois a situação não é boa para ninguém neste país que os próprios políticos vieram moldando. Ademais, as empresas temem que passar dinheiro para eles pode trazer complicações futuras e então preferem não envolver-se.
Embora a esparrama de dinheiro seja ainda muito grande nas campanhas eleitorais, a ausência da generosa prodigalidade obrigará os candidatos a recorrerem à própria competência para convencer o eleitorado. Se o giro do dinheiro é produtivo para dinamizar a economia, a escassez dele nas campanhas irá higienizando o processo e forçando o eleitor a escolher e a decidir pelo melhor. O ideal é este mesmo: que a conscientização ocorra não pela falta da propina mas pela elevação do nível sócio-cultural da sociedade, porque só assim será possível produzir também políticos melhores e edificar a nação cidadã que se deseja.

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