DINHEIRO NO BOLSO - Como chegar ao primeiro milhão?
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segunda-feira, 16 de junho de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Quem nunca sonhou em ganhar R$ 1 milhão sem necessariamente participar de um reality show ou acertar os números da mega-sena? Se a sorte não vem, a disciplina pode ser uma aliada. É o que defende o casal Regina e Marco Falcone, que, após decidir pelo ato de poupar, chegou ao primeiro milhão.
Em entrevista à FOLHA, Marco, que é engenheiro mecânico e já chegou a dar aulas particulares para incrementar o orçamento, defende a educação financeira como porta de entrada ao clube dos milionários.
Há um segredo para se chegar ao primeiro milhão?
O básico é ter disciplina, planejamento e correr atrás da educação financeira, que, infelizmente, não aprendemos. Nossos pais não receberam educação financeira, por conta da inflação. E não podemos esperar muito, pois hoje em dia as pessoas mal acessam a educação formal.
Contar os centavos faz a diferença?
Uma vez que a minoria da população recebe altos salários, normalmente as pessoas acabam consumindo de maneira intensa e enraizada, gastando mais do que podem e devem. Quando você se predispõe a juntar uma alta quantia que vai trazer a independência financeira, precisa ter um controle rigoroso sobre seus gastos. É necessário colocar no papel o orçamento de casa, controlar o dinheiro, para onde ele vai, e verificar as despesas que você pode reduzir. Por outro lado, não podemos deixar de gastar com as coisas que nos deixam felizes.
Mas como obter essa ''felicidade'' sem sacrificar o orçamento?
É tudo uma questão de análise e, fundamentalmente, de planejamento. Por exemplo: se uma pessoa quer viajar para a praia, ela não precisa tomar essa decisão dois dias antes. O segredo é economizar e, no lugar, analisar com o que vai gastar mais. Na praia, se o maior gasto for com alimentação ou cerveja, por exemplo, por que não levar esses itens na bagagem? O que defendo é o consumo inteligente. Funciona.
No livro, o senhor se refere ao consumo inteligente. Não podemos gastar muito com o lazer, então?
Não é não gastar, mas a pessoa se programar com antecedência e saber gastar. Não trocamos de celular toda hora, todo mês, porque o que o aparato traz é a comunicação. MP3, vídeos e fotos são predicados dispensáveis, pois não vamos utilizar toda a tecnologia contida no celular. O mesmo vale para o carro, que não deve ser sinônimo de status e sim de transporte, locomoção, apenas isso. Não devemos olhar para o vizinho, que trocou de carro, e decidir fazer o mesmo. Você acaba perdendo dinheiro.
E no dia-a-dia, precisamos aprender a fechar a mão?
As economias do dia-a-dia também são muito importantes. Qualquer dinheiro que você guarde durante o mês, pode resultar, no final do mês, num montante a ser aplicado no Tesouro Direto, por exemplo.
No livro, o senhor compara o ato de poupar a um regime. Contextualize.
Comparo o ato de poupar a um regime porque a situação é bastante similar: poupar exige disciplina. Quando a pessoa engorda e emagrece, ela não descobriu o verdadeiro motivo para emagrecer. O mesmo vale para o dinheiro: pensar em economizar não é direcionar energias apenas para o ato benéfico de poupar. O que nos motivou a ganhar dinheiro foi a esperança de um dia ter tempo suficiente para cuidar dos filhos que viriam. Hoje, eu e minha esposa temos dois filhos e pensamos em ter três. Viemos de famílias pobres e objetivamos guardar dinheiro o mais rápido possível para ter tempo de cuidar das crianças que queríamos. Esse é um motivo bastante forte e concreto. É a história do regime: você precisa de muita vontade interna para conseguir emagrecer e chegar no seu objetivo.
Recentemente, a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, revelou que vai ser criado um plano de educação financeira para os brasileiros. Enquanto o projeto não é votado, qual dica passa aos potenciais ''poupadores''?
Primeiramente, a pessoa deve analisar de que ela precisa, quanto ela tem disponível, se é conservadora ou gosta de emoções fortes, vendo o dinheiro dela crescer rapidamente. Eu e minha esposa transitamos entre o conservador e o arrojado. Nesse sentido, deixamos 55% em renda variável e os outros 45% em renda fixa. Quem não possui experiência, recomendo começar com renda fixa e, dentro da renda fixa, tesouro direto. É seguro, você consegue depositar valores por volta de R$ 200, as taxas de administração são baixas, dependendo do banco que escolher. Deixar na poupança eu considero loucura e o Fundo de Renda Fixa com o banco também não funciona: o banco compra títulos do governo, monta um fundo e repassa para o cliente, sendo que você pode fazer isso por conta própria.


