A chance do futuro governo desonerar a economia é quase zero. E o risco de programas sociais e outras benesses comprometerem a economia também será pequeno porque o ‘‘rombo’’ dos gastos públicos será compensado pelo bom desempenho de um mercado aquecido pela demanda. Esta é uma das conclusões da análise feita ontem por um especialista da Fundação Dom Cabral (FDC) para uma plateia seleta formada por executivos de grandes empresas da região (Veja reportagem especial amanhã nesta FOLHA).
  O novo governo não vai mesmo reduzir a insana carga tributária, ainda que custe muito para a sociedade brasileira. Em primeiro lugar pelo inchaço que aplicou à máquina pública para fazer politicagem. Para sustentá-la haja imposto. Em segundo porque nenhum político abriria mão do portentoso montante. É muita grana.
  Sabe por quê não abre mão? Nada como o exemplo mais recente. Porque a arrecadação federal atingiu recorde de R$ 62,7 bi em agosto. A arrecadação federal de impostos e contribuições bateu recorde histórico para o mês ao atingir R$ 62,721 bilhões. Dados da Receita. Foi uma alta nominal de 20,5% sobre agosto do ano passado e avanço real (com correção pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 15,32%. Com o resultado de agosto, a arrecadação acumula no ano R$ 510,185 bilhões, um avanço nominal de 18,07% ante os oito primeiros meses de 2009. Corrigida pela inflação, a arrecadação do ano acumula R$ 513,816 bilhões, uma alta real de 12,59% ante igual período do ano passado.
  A Receita atribui esse resultado à recuperação de indicadores que influenciam a arrecadação. Não é bem assim: a Receita está querendo dizer que paga-se mais imposto porque se produz mais. Esta é uma equação lógica: mais produção, mais lucro, mais impostos. O chamado círculo virtuoso. Há algo mais que a Receita omitiu: arrecada-se mais porque o governo tem sido impiedoso com os devedores e implacável com os contribuintes em dia. E porque sua voracidade não tem limites.

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