Dinheiro mais barato via cooperativa
A perversidade do empréstimo pelo sistema bancário encontra um extremo oposto na obtenção de dinheiro por via do cooperativismo, que beneficia pequenos produtores rurais paranaenses e estimula-os a continuarem no negócio. Reportagem da Folha Rural de sábado mostra como esta categoria de produtores encontra facilidades ao buscar financiamento junto à Cooperativa de Crédito Rural com Integração Solidária, que se vincula a outras 117 cooperativas. O sistema já funciona há dez anos, envolvendo 65 mil associados. A mais recente unidade da cooperativa foi instalada em Londrina há 18 meses e já reúne 240 agricultores familiares e assentados. Os recursos são obtidos por meio do Programa de Agricultura Familiar, mais conhecido como Pronaf, que deve liberar R$ 110 milhões para o sistema neste ano. A burocracia dos bancos é sempre problemática no fornecimento de crédito, o que não acontece por via desse cooperativismo solidário. A vantagem do programa é que tudo funciona facilmente, dependendo apenas de o produtor ter a terra ou contrato de arrendamento, apresentar os documentos pertinentes e abrir uma conta. O juro é de apenas 3% ao ano, com 24 meses de carência para iniciar a quitação da dívida, que pode se estendida por até 8 anos. Depoimentos de produtores à Folha Rural mostram as vantagens do sistema, e todos se declaram satisfeitos, porque puderam investir no melhoramento da propriedade. Sem burocracia, milhares de pequenos produtores têm obtido crédito para custeio e investimento, e o resultado é satisfatório. Porque, mais estimulados, esses micro-empresários do campo e suas famílias investem inclusive em tecnologia, como a análise do solo, de forma a aumentar a produtividade. A boa perspectiva é que, obtido o empréstimo e sabiamente aplicado, há garantia de quitação do débito, sem o fantasma da inadimplência rondando. Uma revolução agrária que se opera espontaneamente, porque conta com pessoas aptas e dispostas a cultivar a terra. ''Tudo o que eu ganho reinvisto na propriedade'', declara um produtor que se utilizou do empréstimo da cooperativa. Isto demonstra também o grau de conscientização desse agricultor, que não se vale simplesmente do dinheiro emprestado mas gerencia o seu negócio com responsabilidade. Estes são os novos caminhos que vão se abrindo e possibilitam a permanência do pequeno agricultor na atividade rural, que é tão difícil e dependente de uma infinidade de fatores, a começar da boa vontade do tempo, e mais outros tantos riscos.





