Fraudadores existem em todos os países, mas em alguns eles estão presentes em mais quantidade. A fabricação de dinheiro falso já não ocorre em nações altamente desenvolvidas e politizadas, onde é mais fácil ganhá-lo honestamente - até porque existem condições - do que correr o risco de severa punição. Cada país tem a sua tipicidade de delitos (em alguns é o terrorismo e o culto às guerras), e no Brasil os mais freqüentes são as espertezas enganadoras, velhacarias, corrupção no meio governamental, concussão (que envolve também a mão dupla dos participantes externos), vigarice, juros extorsivos de bancos e outras instituições financeiras, mentiras prejudiciais, falsificação de dinheiro e assim por diante.
Ontem, reportagem deste Jornal mostrou - com exclusividade - um alarmante derrame de notas falsas, no Paraná, especialmente as de R$ 10 e de R$ 50. O cartório central da Polícia Federal em Londrina registra o aumento de 47,56%, nos últimos dois anos, em inquéritos envolvendo esse tipo de crime. É dessa fonte a dedução de que há uma quantidade considerável de notas falsas girando no mercado. Os usuários do dinheiro nem notam as diferenças, que são sutís, porém detectáveis. Gráfico da reportagem faz um mapeamento das duas notas para mostrar ao público alguns pontos. Difícil é fiscalizar isso em algumas atividades, onde o giro da moeda é intenso e não há tempo para a análise nota por nota, e assim (falsificadas ou não), da forma que elas chegam também saem. Desse modo, sem intenção, favorece-se a ilegalidade.
Essa corrente de atos delituosos que ocorrem no Brasil é um retrato da realidade moral imperante. Costuma-se exemplificar que a simples predisposição para levar alguma vantagem delituosa, pequena que seja, é uma forma de corrompimento. Se as pessoas podem sonegar algum imposto, elas o fazem, sob o argumento (um deles) de que o Governo emprega mal o dinheiro arrecadado e se apropria dele indevidamente, e assim também sonega o povo. Exemplifica-se, no momento, com o vergonhoso caso dos cartões corporativos. Governo e sociedade não são corpos dissociados. Aquele é um substrato desta. É o povo que forja a qualidade dos governantes que tem.
Os peritos e as autoridades desempenharão a sua função de identificar o dinheiro falso, dar orientação ao povo e punir os fraudadores. E a cada cidadão incumbe exercer também o seu papel fiscalizador, da mesma forma que lê o rótulo de um produto no supermercado. As outras formas de combate são a punição severíssima e a busca por melhorar o padrão moral da sociedade. Quanto a esta última, é esperar pacientemente pelo resultado desse processo.

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