Dinheiro enterrado nos buracos
O presidente Lula certamente irá dizer que não sabia que a operação pré-eleitoreira tapa-buracos resultaria no que agora se constata: quase metade da buraqueira das rodovias brasileiras voltou. Foi dinheiro jogado na sarjeta, como declarou o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União. Todo esse serviço - realizado no primeiro semestre - foi feito precariamente e reuniu todas as formas de irregularidades. Primeiro as de ordem técnica, depois a falta de projetos, os preços pagos acima do mercado, a ausência de licitações ou contratos irregulares. Mais de metade do serviço foi feito dessa forma, nos 26 mil quilômetros de rodovias. A denominada recuperação foi, na verdade, um desperdício de dinheiro e serviu também à corrupção, com o superfaturamento, atestado pelo Tribunal de Contas. Resta saber que sanção será aplicada ao Governo e se tudo ficará por isso mesmo, de nada tendo adiantado o levantamento do Tribunal. Boa parte dos trechos ''restaurados'' apresentou problemas graves, como se verificou em rodovias de Goiás e da Bahia. ''Encontramos um verdadeiro caos nas estradas'', declarou o ministro. Ficou quase tudo como estava antes, com a desvantagem de que foi gasta uma fortuna nessas obras. Não é de agora que as rodovias são mal conservadas, no Brasil. O Tribunal de Contas estima que houve prejuízo de mais de meio trilhão de reais nos últimos trinta anos, com atrasos, acidentes, destruição e danificação de veículos e perda de cargas e vidas humanas, por conta das péssimas estradas. No Governo Lula isto não mudou, com o agravante da perda de dinheiro com os reparos improvisados deste ano, feitos para pavimentar o caminho pré-eleitoral do então virtual candidato presidencial à reeleição. Não faltaram advertências, na época, sobre a precariedade de um tal projeto de remendos, e órgãos do próprio Governo chegaram a afirmar que um ano depois a emenda teria de ser refeita. Foram necessários apenas 8 meses. Mesmo diante dessa perspectiva o Governo insistiu em enterrar dinheiro nos buracos. Não foram, portanto, apenas os escândalos com deputados e dirigentes do partido no poder, mas também os da própria administração federal, como este investimento inútil na operação tapa-buracos. Sem contar as irregularidades na execução desse trabalho, a corrupção foi também a representada pela imprevidência, a demonstrar falta de responsabilidade governamental no uso do dinheiro público. Esta é a mais grave das corrosões, porque, com uma tal mentalidade predominando na cabeça dos governantes, outras tantas coisas nefastas podem acontecer. Como têm acontecido. Se barbaridades como esta fossem exceções se poderia levá-las à conta das naturais falhas humanas, mas nos governos deste país isto tem predominado como regra.





