Pelo excesso de material escolar determinado pelos burocratas-pedagogos do Ministério da Educação, as mochilas ficam pesadas demais e geram males físicos nas crianças e adolescentes. O ano escolar vai começar e além do preço elevado de toda a parafernália exigida, que faz a conta ficar pesada para as famílias, os alunos de baixa idade ainda ficam sujeitos a contrair problemas pela excessiva carga que têm de carregar às costas. Os mais comuns são dores na coluna vertebral, tendência para a corcunda, desvio lateral, desvio para cima no final da coluna, hérnia de disco e pequenos traumas.
Os fisioterapeutas fazem várias recomendações, mas o intervenção desses especialistas nem seria necessária se o mal fosse eliminado na origem, ou seja, no próprio Ministério. Porque o professorado tem de seguir as normas que emanam dessa fonte, embora entre eles haja também alguns com seus próprios caprichos. Há educadores que questionam a necessidade de, todos os dias, o aluno ter de levar à escola tanto material, sugerindo que muitos livros e cadernos pesados (mais os badulaques de pouca serventia) fiquem no próprio estabelecimento, no escaninho de cada estudante. Porque nem todos seriam necessários ao mesmo tempo no dever de casa.
E também esse dever, conforme alguns professores propõem, deve ser reduzido ou eliminado, porque já bastaria o tempo de permanência na escola, e em casa as crianças devem brincar e conviver mais com a família.
No caso do peso da mochila, os fisioterapeutas lembram que a criança não tem o esqueleto completamente desenvolvido e precisa de cuidado na hora de fazer esforço que afete a coluna. Eles recomendam - e os vetustos pedagogos do Ministério deveriam ouvi-los, se é que gente da esfera oficial ouve alguma coisa sensata - que a mochila não pese mais de 10% do peso do estudante.
As indústrias e lojas de material escolar ganham com isso, e possivelmente tenham seus lobbies. Ademais, num país de população pobre em sua maioria, certas bugigangas são desnecessárias. No passado bastavam alguns poucos livros e cadernos e só lápis e borracha, e os meninos da época desenvolveram excelente aprendizado.
Fala-se tanto em defesa da criança e do adolescente, mas forçá-los a levantar tão cedo, manipular tanto material escolar e carregar pesada mala às costas para ir à escola, é um abominável arbítrio dos regentes da educação no Brasil. Se o sistema pedagógico oficial necessita de reestruturação - sendo oportuno destacar avanços em alguns sistemas educacionais privados - também questões estratégicas de proteção à saúde das crianças e jovens precisam ser revistas. Não é por acaso que muitas crianças no Brasil não gostam de escola.

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