Ao buscar subsídios na fonte da união nacional que o ''novo'' Governo Lula propõe - se é este mesmo o propósito ou apenas uma solicitação de apoio - o presidente Lula certamente ouvirá que o sistema é muito gastador e que será preciso começar por essa vertente a obra de reconstrução econômica - o anunciado projeto de desenvolvimento do segundo mandato. Porque se o Governo cobra tanto imposto é porque tem de cobrir essa conta do gasto abusivo, e este é dinheiro que falta para os investimentos, públicos e privados. Menos impostos é o que os agentes da produção reclamam, mas se o Governo gasta muito, continuará subtraindo dinheiro da cadeia produtiva e do meio circulante para suprir esse descontrole. Como foi escrito ontem neste espaço, para crescer mais o Governo que começará a 1º de janeiro terá de elaborar projetos bem fundamentados, que contemplem inclusive a redução do custo da máquina pública e, por continuidade, exigirão menos dinheiro do bolso dos investidores e dos cidadãos. E o Governo não acena com essa providência, parecendo resistir à idéia. Um mal que não é apenas do Governo prestes a encerrar-se mas já dos anteriores. De 15 anos para cá o peso da tributação subiu de 26,6% para 35,9% do Produto Interno Bruto. Dessa forma, grande parte do resultado da riqueza nacional é consumida pelo Governo - no necessário mas também no supérfluo. Óbvio que as bases produtoras - grandes, médias e pequenas, aí compreendidos também os serviços - produzem muito mais que o Governo quando têm a posse do dinheiro, que escorre mais facilmente pelo ralo das inutilidades quando se concentra em poder do Tesouro. Se o Governo do segundo round não diminuir o gasto com os excessos, não terá como reduzir a carga tributária e assim não acontecerá salto de desenvolvimento nenhum, porque crescimento econômico não opera apenas por belas palavras e solicitações de apoio. Uma união nacional pressupõe ações nos dois sentidos, e agora é hora de o Governo mais conceder e menos pedir, se este pedido significar a continuidade das sangrias e da centralização de renda em poder da União. No lugar do ''deixem o homem trabalhar'' - uma pregação recente da militância - melhor seria optar por deixar o dinheiro circular. Porque se é preciso socorrer os pobres, por meio de mecanismos como os que estão sendo usados, a eliminação da pobreza ocorrerá pelo fortalecimento da empresa, porque é a que gera mobilização de capital, dá empregos, robustece a tributação e deixa mais sólido inclusive o Governo. Só dar aos pobres também gerará um certo dinamismo da economia, mas empobrecerá os outros setores, e justamente os que produzem riqueza e tudo o mais que vem como consequência. O bipresidente Lula precisa tomar o cuidado de não ficar, mais uma vez, apenas nos anseios manifestados pelo discurso, mas começar a colocar as coisas em prática.

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