Diminuir delitos pela formação do indivíduo
Mais policiais, viaturas e armamentos chegam a Londrina, mas a violência continua intensa, parecendo piorar, embora não se saiba que proporções teria assumido sem esses mecanismos de repressão. Pesquisa contratada por este jornal mostra uma cidade pedindo socorro face ao estado de insegurança, com opiniões se manifestando sobre como resolver o problema mas sem haver um consenso. Certas cidades do mundo - como exemplo a gigante e problemática Nova York - aplacaram a fúria da violência pela adoção de estratégias específicas, como ''tolerância zero'' para com a bandidagem.
Entre as razões clássicas para a delinquência estão o estado de pobreza de grandes contingentes populacionais, no Brasil e no mundo; o tráfico e o consumo de drogas e a tendência natural de certos indivíduos para a prática de delitos, desde pequenos roubos até assassinatos cruéis. Se ampliarmos o leque veremos que existem governos e povos que cultivam o terrorismo e as guerras, e estas são as mais terríveis formas de violência. Se são necessárias medidas de contenção do crime - o organizado e o isolado - e de melhoria dos padrões de vida das camadas sociais carentes, o problema fundamentel reside na formação das pessoas, desde a adolescência, aí incluídos os governantes, iguais delinquentes quando descambam para a corrupção.
Isto remete para a família, para a escola e para a igreja, que são redutos formadores do caráter dos cidadãos. Mas estes fortes pilares também balançam, porque sustentados por considerável número de pessoas que são igualmente frágeis e despreparadas, tanto para cuidar de si próprias como dos que recebem sua orientação. São as louváveis exceções que ainda geram o equilíbrio e permitem que a humanidade sobreviva com relativa paz. No caso da violência - que acontece nas cidades e nos mais isolados lugares - será preciso investir paralelamente na melhoria do nível de formação das pessoas, e assim gera-se um processo de reação positiva em cadeia. Porque, cidadãos melhor formados - uma virtude que não se adquirirá apenas pela formação intelectual e profissional - fará também famílias, escolas e religiões melhores, e de sua vez elas darão a contra-partida correspondente.
Fórmulas como endurecer o policiamento (que não pode ser truculento e imprudente), diminuir a pobreza, combater o mal das drogas, criar polícias municipais, alfabetizar e profissionalizar as pessoas, são necessárias e devem ser adotadas e aperfeiçoadas, mas isto não bastará se não houver políticas de melhor formação do indivíduo, de forma que, por própria consciência e não por imposição de leis e de repressão, ele tenha um comportamento reto. Porque dessa forma será ele seu próprio guia e o policial de si mesmo. Isto abrange todo o conjunto da sociedade, porque as imperfeições estão presentes em todo o corpo social.





