A substituição de Henrique Meirelles no Banco Central, a menos que Dilma escolha um nome da mesma linha, pode causar impacto à economia e incômodos ao próprio governo. É preciso saber se Dilma quer apenas uma pessoa da sua confiança ou se pretende conferir rumo diferente à política monetária. Na segunda hipótese, pode ter problemas. Meirelles, em primeiro lugar, teve a virtude de não mexer na economia - razão do sucesso de governo Lula, que se beneficiou de um plano bem estruturado pelo governo anterior. Estabilidade econômica e aumento da renda são frutos de um plano que estava consolidado.

Como o ponto forte do plano foi conter a inflação e, consequentemente, garantir o ganho real dos salários, Dilma terá que seguir uma estratégia: controlar o consumo. Infelizmente esse controle ainda é feito por meio de instrumento de política monetária, ou seja manutenção ou aumento das taxas de juros, que inibem o crediário elástico.

Dilma pode estar mandando um recado. Quer reduzir os juros. Medida popular e de bom gosto, num país onde o lucro dos bancos é um acinte. Mas requer alguns graus de maturidade dos agentes econômicos. A pergunta é se o setor industrial suporta a abertura das comportas da demanda agregada de bens, represada desde a retirada da isenção do IPI, em abril. E a equação é conciliar excesso de demanda com estabilidade de preços. O Brasil corre o risco de uma corrida inflacionária de difícil controle.

Brincando um pouco com o assunto, se o mundo acadêmio preferir, a ousadia de Dilma, mesmo sem querer, pode estrear numa espécie de hetorodoxia keynesiana (Johnn Maynard Keynes - Teoria Geral do Emprego, do Futuro da Moeda). Não vamos exagerar achando que o Brasil vai sacudir a Wall Street, em Manhattan. Mas mexe com a economia doméstica no melhor sentido: reduzindo os juros.

mockup