Certos prefeitos quando enfrentam alguma dificuldade financeira anunciam como primeira medida cortar atendimentos de saúde e outros setores básicos. Raramente pensam na economia de gastos na estrutura burocrática, no empreguismo e noutras despesas que poderiam ser diminuídas. Os administradores públicos, no mais dos casos, não se punem por contenção nos abusos mas voltam-se para o sacrifício aos dependentes daqueles serviços.
Os municípios pequenos não conseguem sobreviver sem a contribuição do Fundo de Participação dos Municípios, que representa 80% de sua receita. Se for feito um retrocesso no tempo se constatará que nunca poderiam ter sido elevados à categoria de município com o desmembramento da sede municipal (grande ou média) à qual pertenciam. Porque a estrutura burocrática teve de ser instalada e sugou dinheiro para os salários do prefeito, dos vereadores, dos secretários, do pessoal no geral e mais os apaniguados.
O pouco dos recursos oriundos da própria localidade representa apenas 20%, e sem o restante que vem do Fundo implanta-se o caos, já que o município-mãe de antes deixou de ajudar com dinheiro e serviços. O Governo federal retém o mais que pode o dinheiro que cabe aos municípios, mas não dispensa a receita oriunda deles á- pequenos, médios e grandes. Em todas as esferas da gestão pública os gastos desnecessários são grandes demais. Nessa disputa a União recolhe o máximo de onde é possível e sonega onde puder, na contrapartida. E assim, prefeituras - por natureza igualmente esbanjadoras, pela sua pesada estrutura - apontam para a diminuição dos serviços essenciais. São raros os casos de prefeitos que resolveram fazer cortes na gordura da máquina administrativa. Hoje, conforme notícia deste Jornal, dezenas de prefeituras fecham as portas em protesto contra a redução do Fundo, não sem o fatídico anúncio de sacrificar aqueles setores de atendimento, mencionando saúde, educação e transporte escolar.
São os municípios que arcam com o maior ônus pelas carências sociais, porque convivem mais diretamente com tais problemas, pela proximidade. Então, os governos federal e estaduais precisam atendê-los. Mas as administrações municipais também são inchadas e onerosas em sua própria estrutura. E também têm histórias de corrupção, como o noticiário registra com frequência. Enxugar toda a máquina pública, para que se torne mais leve para o povo, é o passo que tem de ser dado antes de qualquer outra medida.

mockup