Roberto Requião, governador do Paraná e eleito para mais um mandato, tem dificuldade para administrar a própria vitória, como demonstra agora. Em sua primeira entrevista aos veículos de comunicação, ele lançou dardos por todos os lados, com mira especial nos adversários de campanha. Esta impetuosidade, às vezes raivosa e às vezes irônica, é uma característica de Requião, e quem convive com ele, assim como os jornalistas que o entrevistam, já não se surpreendem. Espera-se que, feito o rescaldo da turbulência que se encerrou no domingo, o governador reflita sobre as verdadeiras razões que levaram todas as grandes e médias cidades a dar mais votos ao concorrente. Porque é nesses centros mais populosos que residem os maiores problemas, especialmente os de atendimento social. Se obras foram realizadas mas pouco divulgadas, como justificou o governador, talvez não tenha ocorrido apenas ''falhas de propaganda'' mas também insuficiência das medidas no cotejo com as necessidades, que são grandes nas cidades maiores. Se um núcleo populacional é cinco vezes maior que outro, a proporção dos problemas é idêntica, por isso o atendimento deve ser, igualmente, cinco vezes maior. O pólo de Londrina - cidade que só deu 28% dos votos a Requião - atrai pessoas necessitadas de toda a região e de pontos mais distantes do Estado, assim como de cidades da faixa limítrofe com São Paulo, e precisa dar-lhe provimento. O setor hospitar é um dos mais requisitados, e por mais que se faça obras e se as divulgue, elas são sempre poucas. Grandes levas de pessoas que buscam trabalho acabam inchando favelas nas cidades maiores, gerando problemas com mais rapidez do que a velocidade do poder público em resolvê-los. A voz das urnas não ocorreu apenas pela propalada pouca divulgação de obras realizadas e sim pela marcha dos governos - federal, estadual e municipal - em prover o compasso sempre mais veloz das requisições sociais. Se o mal das carências, especialmente nas áreas de saúde, segurança e emprego, é nacional e não apenas localizado, os governantes devem saber que, por isso mesmo, é grande a responsabilidade dos que se propõem exercer governo. Em momento algum cabe reclamação de governantes, mesmo diante das ''injustiças'' do povo, porque o débito maior é sempre ao inverso, ou seja, são os governos que têm, sem nenhuma sombra de dúvida, a maior dívida social com a população. Se o governador foi reeleito, o momento deve ser de celebração pela facção vencedora e de reflexão sobre o porcentual dos eleitores contrários, ou a consulta eleitoral não terá valido nada a não ser o simples ato de colocar no poder o governante escolhido. A atenção do ocupante do trono governamental deve voltar a atenção mais atentamente para a metade do eleitorado que votou contra, sem revanchismo. Ou então invalide-se o processo democrático e implante-se a ditadura.

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