Difícil aplacar a 'fome' do PMDB
A semana começa especulando sobre dois assuntos que ainda não se esgotaram e vão sobreviver na mídia. A briga do PMDB por cargos, agora no segundo escalão, e a inflação ameaçadora. A menos que ocorram fatos pontuais - e circunstanciais - esses temas prometem continuar tomando espaço nos jornais impressos.
O pesquisador de temas políticos e professor de Ciências Humanas da Unicamp, Marcos Nobre, acha que Dilma, na composição do ministério, deu uma cara petista ao governo. Mas faz uma ressalva que ''mais cedo ou mais tarde, Dilma terá de entregar ao PMDB tudo o que ele pede'', mascarando o governo, e mudando o seu perfil. O PMDB agora briga por cargos em escalões inferiores: o que vier é lucro. Na semana passada a briga foi para recuperar a direção dos Correios e Funasa, do Ministério da Saúde, que perdeu com Dilma.
O pesquisador Marcos Nobre tem uma definição para a atuação conservadora do PMDB, que chama de ''peemedebismo''. E a definição de ''peemedebismo'' não é nada lisongeira para o partido. Segundo Nobre, é uma cultura política que tem como característica estar no poder, ou viver em torno do poder. Igualar sobrevivência política com adesão a quem estiver no poder, e não ter consistência ideológica, apenas um discurso que qualquer um pode subscrever. O partido é por um gerenciamento de interesses no qual, como ninguém formula nada muito precisamente, todo mundo pode entrar. Interpretando: enfim, fazer política dentro do peemedebismo significa manter a coexistência, custe o que custar, para ocupar os cargos.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo deste domingo, Nobre critica esse ''fenômento singular'' na política brasileira: o peemedebismo - espécie de consenso conservador, feito para acomodar todo mundo e deixar tudo como está. Com base nessa análise crítica, também do artigo do mesmo Marcos Nobre na revista Piauí, e diante de evidências da obstinação do PMDB, pode-se inferir que não será fácil para Dilma aplacar o açodamento do partido.
Agora com relação ao outro tema, a inflação, o governo vai inibir o consumo, compromentendo o desenvolvimento econômico.





