Diferentes posições da Justiça Eleitoral
De um lado, vários tribunais regionais eleitorais anunciando que vão impedir a candidatura dos políticos com ''ficha suja'', e de outro o Tribunal Superior Eleitoral - que é o poder maior - tomando a decisão de permitir que concorram. Um conflito de poderes, que promete muitos desdobramentos, porque não irá faltar candidato com problema na Justiça na eleição de 5 de outubro, sobretudo o que tem a ver com a probidade da função no caso daqueles que já se encontram no poder.
Na verdade são poucos os que se salvam, e se os processos contra eles ainda não chegaram a um termo final, só o fato de estarem envolvidos em denúncia deveria servir como uma atitude de cautela do órgão supremo da Justiça Eleitoral. Com toda a certeza é mais prudente estabelecer uma preventiva medida de impedimento do que ter de lidar mais tarde com o afastamento desses possíveis eleitos se eles vierem a ser condenados. Manter na lista de espera um potencial candidato denunciado não significa uma imposição de culpa mas apenas a adoção de uma medida de precaução. Tribunais regionais defendem o veto aos que têm problemas e chegaram a anunciar o propósito de divulgar publicamente os seus nomes. O noticiário dos veículos de comunicação tem contado as histórias de denunciados, mas até a eleição muitos esquecem - embora parcelas do eleitorado, sabedoras da situação deles, os tenham reconduzido ao poder. Câmaras municipais, prefeituras, assembléias legislativas, governos estaduais e o Congresso Nacional estão cheios deles.
É uma questão de interpretação distinguir o que é uma eventual punição antecipada ou uma atitude de zelo na defesa de um valor mais relevante, que é a investidura no exercício de um cargo público eletivo. Até porque quem sair limpo de um julgamento pode voltar a concorrer.
A moralidade pública é um preceito constitucional, portanto deveria ser este o critério a seguir, porque a lei maior é prevalecente e, portanto, sinalizadora também para as altas cortes. A decisão daquela instância superior dificulta o processo de saneamento das instituições e facilita que um político sob suspeição continue no poder.





