A diarista Gedalva Guilherme, 52 anos, não sabe ler nem escrever. Mas sabe fazer conta. Certa ocasião ela precisava de cobertores. Foi a uma loja, onde cada um custava R$ 13,90. Como ia comprar três unidades, calculou que gastaria R$ 41,70. Mas só se tivesse dinheiro para comprar à vista. Na hora de fazer o crediário, descobriu que a conta seria de R$ 62,00. ‘‘Daria para comprar quatro cobertores e sobraria R$ 5,00. Não comprei naquela loja’’, conta.
Como não é tudo que se pode deixar de comprar, Gedalva diz que às vezes precisa ‘‘entrar no crediário’’. Mas procura sempre as menores taxas. O último bem adquirido foi uma geladeira. À vista, o eletrodoméstico custaria R$ 529,00. Como vai pagar em 10 vezes, o preço final será de R$ 620,00.
Para não comprar ‘miudezas’ e marcar na caderneta em mercearias do bairro onde mora, a diarista leva as despesas na ponta do lápis. Isso evita que ela tenha que pagar 20% de juros na garrafa de refrigerante, por exemplo. Ou pagar a taxa de R$ 2,63 cobrada pelo mercado do bairro quando usa cheque pré-datado.
Gidalva mora em uma casa pequena, de três quartos, com mais seis pessoas. O marido está sem emprego há dois anos. As despesas da casa são bancadas pelo que ela ganha como diarista, além da ajuda dos filhos e de um sobrinho. ‘‘Somando tudo, o dinheiro para as despesas é R$ 730,00, para pagar água, luz, telefone, aluguel, compra do mês, comida. Temos que fazer tudo com esse dinheiro’’.
O aluguel é uma das maiores despesas da família. Apesar da casa ser pequena e ficar localizada distante do centro, a família paga R$ 150,00 por mês. ‘‘Até um ano atrás, a gente morava numa casa maior, aqui perto. Mas o aluguel era R$ 250,00. Não deu para ficar’’, conta. (B.B.)

mockup