Diária para ficar em casa?
Agentes públicos devem - ou pelo menos deveriam - dar o exemplo de bom uso das verbas arrecadadas por meio dos altos impostos pagos pelos cidadãos. Principalmente no atual momento econômico quando o governo federal faz cortes no orçamento que tiram verbas preciosas de áreas importantes como saúde, segurança e educação, tendo um impacto muito grande na sociedade. Entretanto, na prática não é bem isso que acontece.
Os ministros Ana de Hollanda (Cultura), Paulo Bernardo (Comunicações) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) entraram no foco da imprensa nos últimos dias, e não devido a ações positivas.
No último domingo, reportagem do jornal ''O Estado de S. Paulo'' apontou o pagamento de diárias à ministra por fins de semana na cidade do Rio de Janeiro sem uma agenda oficial. Ela possui residência naquela cidade. Nos últimos quatro meses, a responsável pela pasta da Cultura teria recebido R$ 35,5 mil por 65 diárias - pelo menos 16 delas sem um compromisso de trabalho.
No dia seguinte, a Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que a ministra deve devolver cinco diárias. Em nota, o ministério disse que não há improbidade na conduta da ministra e que o valor pago seria menor do que o necessário para pagar as passagens de ida e volta do Rio a Brasília. Uma prática corriqueira.
Tanto é assim que na terça-feira reportagem do jornal ''O Globo'' mostrou que Paulo Bernardo e Afonso Florence também teriam recebido indevidamente diárias para viagens a cidades em que têm residência, sem compromisso profissional. Os ministros teriam admitido o ''erro'' e devolvido o dinheiro.
Lidar com o dinheiro público é coisa séria. Vaga, a regulamentação do pagamento de diárias a autoridades permite diferentes leituras. É necessário adotar regras mais rigorosas, para que futuros ''erros'' sejam evitados.





