O momento é delicado. Aos 17, 18 anos, com os hormônios fervilhando, os jovens são obrigados a decidir a carreira que supostamente vão seguir durante anos de vida. Apostar no novo ou em terreno conhecido e já aberto pelos pais?
Para auxiliar na decisão, há profissionais especializados em orientação vocacional. Eles dizem que o segredo para a boa escolha é amadurecer ao máximo a decisão, levando em conta as habilidades, interesses, possibilidades de mercado e a coerência com o projeto de vida desejado.
O orientador e mestre em Educação, Silvio Bock, não aprecia a expressão ''vocacional'', pois, segundo ele, o termo passa a idéia de chamado interno ou religioso. ''Todos os dons têm uma explicação racional ou psicológica. Hoje até as escolas de arte anunciam que tudo pode ser aprendido.''
Na empresa comandada por Silvio não são usados testes vocacionais, apenas dinâmicas em grupo, individuais e muito diálogo. A decisão final é tomada pelo próprio jovem. Durante o processo, eles chegam a abrir uma empresa simbólica, constroem objetos com materiais diversos e discutem temas.
O processo de reflexão é intenso: os alunos devem pensar em sua própria história pessoal e habilidades. Também fazem pesquisa de mercado e sobre campo de trabalho, entre outros assuntos.
A decisão nunca é pautada em um único fator. A principal recomendação é manter a coerência. Por exemplo: alguém que prioriza o conforto material enfrentará maiores dificuldades futuras se escolher um curso mais teórico.
''A escolha profissional é complexa e deve levar muitos fatores em conta. O autoconhecimento é fundamental'', diz Silvio. Trabalhar ou não na área dos pais também é uma escolha que vai caber ao jovem depois de avaliar se o setor coincide com suas próprias aptidões, interesses e projeto de vida.
Silvio cita casos de indecisão, causados por fatores de fundo emocional, como, por exemplo, quando o pai aprova uma escolha e a mãe, outra. Nesse tipo de situação, primeiro é necessário resolver a questão psicológica.
''Mas o jovem não pode imaginar que um dia vai acordar totalmente resolvido. É preciso se debruçar sobre a questão, pesquisar, ir atrás'', ressalta ele, que recomenda visitas a aulas na faculdade e estágios em um segundo momento, quando a decisão já está amadurecida.
''O primeiro passo é descobrir 'quem sou eu', para depois descobrir 'o que vou fazer'. Isso implica em fazer um inventário dos recursos pessoais, familiares, bagagem educacional, condições financeiras. Isso é individual e deve ser cuidadosamente investigado. A escolha deve conciliar projeto de vida com a realidade de cada um, investindo principalmente nas facilidades, que pode incluir 'herança familiar profissional', habilidades específicas e campo de trabalho, para citar apenas algumas'', diz a orientadora vocacional e psicóloga Eponina de Carvalho.
A pesquisa realizada por ela envolve entrevistas, testes de personalidade, habilidades específicas e esclarecimentos profissionais e curriculares. ''Os testes vocacionais são válidos se inseridos nesse contexto'', diz ela. Hoje, muitos colégios promovem palestras com profissionais de destaque em diversas áreas, e alguns têm até orientadores à disposição.
Eponina considera essas ações válidas, mas pondera que também é fundamental a ajuda da família. ''Os pais devem dizer o que pensam. Hoje todos querem deixar os jovens muito à vontade, mas é importante opinarem sobre os prós e contras de cada profissão.''

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