Até hoje não tivemos uma só publicação, tecnicamente respeitável, que tenha avaliado o impacto do chamado salário mínimo regional na economia estadual: nem os empresários que apontam aspectos negativos que poderiam criar um clima recessivo e de desemprego e muito menos as centrais sindicais obreiras que se agarraram num símbolo que lhes favorece o proselitismo. Ocorre que desde que implantado não teve qualquer debate sério a não ser alguns encontros entre as áreas do suposto conflito e que trouxeram escassa contribuição.
O que ressalta à vista é a óbvia irracionalidade de haver aqui um valor que suplanta e, em muito, o de São Paulo, olho do furacão da economia brasileira e mais dinâmico espaço do mercado latino americano. A demagogia é visível porque embora os avanços, aqui registrados notadamente depois da chegada das montadoras, somos ainda, ao menos em parte, dependentes do setor primário, agropecuário e de suas etapas de industrialização e comercialização.
Que a economia está aquecida isso é detectável até em anomalias como a das filas de caminhões no Porto de Paranaguá e que afinal revelam no movimento das cargas esse ciclo virtuoso e expressam um descompasso entre o produto in natura dos granéis e aqueles que são submetidos à transformação, inclusive os mais sofisticados como os óleos e a proteína texturizada de soja.
Quando a regra do jogo conserva a linha da superficialidade, como tem se dado ao longo da experiência do mínimo regional, todos tendem a perder e mais ainda o conjunto da população pela circunstância de que não há uma versão técnica adequada de um tema que se trata apenas pelo ângulo da reverberação política. Tanto os trabalhadores como os empresários têm instituições que podem fazer esse tipo de tradução para evitar que um tema de tal gravidade seja tratado e com aquele emocionalismo primário das disputas eleitorais.

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