Dia Mundial do Ser Humano
Idalto José de Almeida
A Comunidade Negra brasileira vem realizando, há muitos anos, manifestações públicas no dia 13 de maio, dia da Libertação dos Escravos no Brasil, procurando contar a verdadeira história de nossa gente.
A assinatura da Lei Áurea pode ter colocado um fim na Escravidão Oficial no Brasil. No entanto, assim como a Lei do Ventre Livre e a Lei do Sexagenário, essa lei foi criada para tirar a responsabilidade do Estado perante aqueles que tiveram seu sangue derramado em nome da ordem e do progresso deste País.
Principalmente no Brasil utilizaram ‘‘Deus’’ para justificar a escravidão do povo negro. Nós não tínhamos alma. Nós não éramos gente. Nós não éramos filhos de ‘‘Deus’’. Mataram nossas crianças, torturaram nossos adultos, e estupraram nossas mulheres.
E, com as mãos daqueles que presenciaram ou foram coniventes e até mesmo contribuíram com a violência contra o negro, colocaram a coroa em nosso Rei, no país do futebol.
Recentemente a ciência reconheceu que a origem do ser humano está no ser negro. Assim, carregando a cor original, fazemos parte da trajetória humana do Planeta Terra. Sobre a nossa cor caiu o ódio, a maldade, as injustiças. Fomos amaldiçoados por aquilo que não fizemos e escravizados pelo egoísmo daqueles que mais negaram sua própria origem.
Não estou falando do ser branco, pois não acredito nessa tola visão pragmática do branco contra o negro; do ‘‘mocinho’’ contra o ‘‘bandido’’ ou do bem contra o mal, estou falando daqueles que se perpetuam no comando do planeta utilizando o poder como mecanismo de exclusão, através de preconceitos de origem, sexo, idade, físico, mente, religião, raça, cor, crença ou de ordem tecnológica, econômica, cultural, social, política e outras formas de discriminação.
Se realizássemos, no dia de hoje, uma grande assembléia de avaliação da história de nossa família humana no planeta terra, em todos os tempos, com certeza seria muito interessante.
Na cerimônia de abertura, em um telão de última geração, seriam apresentados os principais acontecimentos da humanidade. Após a exibição é aberta a palavra a todos os participantes.
A delegação do movimento feminista, furiosa, reivindicaria por justiça, relembrando as mulheres sacrificadas pela sociedade patriarcal. Rapidamente, um legítimo representante da sociedade patriarcal solicita também justiça pelos homens sacrificados na sociedade matriarcal.
Em certa altura da discussão alguém lembra o holocausto e o genocídio dos povos indígenas. Mais adiante um samurai fala sobre suas lutas ancestrais, mas, nada se compara à tragédia causada pela bomba atômica em seu povo. Em seguida uma linda negra se levanta, apresentando-se como descendente direta da dinastia da escrava Anastácia, ou melhor, da princesa Anastácia. Relembrou a todos o sofrimento do povo negro, e, com muita tristeza, informou que a mordaça em Anastácia foi colocada a mando de uma companheira. Já no final, com voz firme, uma pessoa faz uso da palavra e anuncia uma grande profecia; ‘‘Eu vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existe’’, deixando a plenária em um breve silêncio, quando um desconhecido com um instrumento musical na mão e em voz poética diz: ‘‘Se foi para desfazer então por que é que fez?’’
Após muitas reflexões, o telão exibe o primeiro balanço geral, apresentando um triste quadro, com vítimas de todos os lados, constatando que as tragédias humanas são irreparáveis.
Voltando a nossa realidade, acredito que o espírito vivo de justiça humana precisa de uma trégua geral, para que possamos utilizar nossas experiências vivenciadas, positivas e negativas, como base na construção e solidificação do padrão ético como referência à família humana do século XXI, consolidando a vida, em todos os níveis, como ‘‘bem comum’’ nas relações sociais e viver eternamente feliz em um ‘‘mundo legal’’
A partir daí, com muita alegria, gostaria de propor o Dia Mundial do Ser Humano, onde todo o Universo poderia comemorar a evolução da humanidade em harmonia com a natureza e nossos semelhantes.
- IDALTO JOSÉ DE ALMEIDA é presidente da Fundação Mundo Verde e Amarelo.

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