DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE O QUE COMEMORAR?
Temos ainda muito a recuperar. Mas também temos tido avanços importantes no Paraná. Na área florestal, tem diminuido a pressão sobre remanescentes nativos, por causa de uma política florestal adequada que equilibra ademanda do consumo com a matéria-prima florestal. Soma-se essa situação a um levantamento apurado dos biomas do Estado, que permitem saber quantas e onde estão as araucárias no Estado. Com isso, é possível estabelecer políticas de preservação, impedido o corte de determinadas espécies ameaçadas. Além disso, o Paraná tem um programa de conservação da biodiversidade, com financiamentos externos. Há também um processo de ampliar as unidades de conservação, com a criação de 10 novos parques. No setor de recursos hídricos, está se regulamentando a lei das águas. Foi criado o Conselho Estadual do Meio Ambiente que permite maior participação de entidades sociais na política ambiental.
José Antônio Andreguetto Secretário do Meio Ambiente do Paraná
Existe uma tendência de mudança de comportamento no setor privado em relação a questões sociais, que envolvem as discussões ambientais. Nessa mudança, há uma clara demonstração de maior comprometimento desse setor em assumir compromissos que eram apenas do Estado. O processo é lento, ainda mais no Paraná, que é um Estado conservador. Por isso, no meio do desespero, em que símbolos como a araucária estão desaparecendo, essa mudança é uma esperança a ser agarrada. Quanto mais empresários perceberem que o desenvolvimento e a conservação não são esforços antagônicos, maior será a cobrança sobre o Estado.
Clóvis Borges Diretor executivo da Sociedade de Pesquisa da Vida Selvagem (SPVS)
O fato de a gente ter uma chance. Pensando no Brasil, por ser um País tropical, a natureza tem capacidade de se renovar muito e mais rápido que na Europa e Ásia. Também tem se percebido que as novas gerações estão mais conscientes. Me surpreendi com o nível de conscientização delas que, simultaneamente, percebem a degradação do meio ambiente e sentem mais decepção do que os adultos. Fora isso, continua a luta. Está difícil seguir a lógica do capital, que induziu o Estado Liberal. Um Estado que não tem capacidade de resposta para o paradigma social, principalmente para as questões ambientais. Não existe estrutura oficial para dar respostas as essas questões. O jeito é comemorar também a lua cheia de hoje, para que ela ilumine o engenho humano tucano. Por isso, vou acender uma vela para a lua cheia clarear algumas mentes.
José Álvaro Carneiro Representante das Ongs da região Sul no Coselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e presidente da Liga Ambiental
Curitiba comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente com resultados muito positivos nos programas ambientais desenvolvidos pela prefeitura em parceria com a população. Ações como a coleta de lixo reciclável e o monitoramento da qualidade da água dos rios só podem ser realizadas com a participação direta da comunidade. Hoje, 20% do lixo produzido na cidade é reciclado. O índice é o maior do Brasil e corresponde à coleta diária de 450 toneladas de materiais recicláveis. Também destacamos nosso índice de áreas verdes, de 55 metros quadrados por habitante, entre os maiores do País graças a uma política ambiental voltada à preservação e à recuperação de áreas degradadas. Enfim, podemos comemorar sabendo que os curitibanos estão caminhando na direção correta para alcançar um meio ambiente mais saudável.
Ibson Gabriel Martins de Campos Secretário Municipal do Meio Ambiente, Curitiba
É muito difícil comemorar. A conscientização da comunidade e, principalmente, dos pescadores é um processo muito lento e atitudes como a pesca predatória e a contaminação dos rios com o lixo ainda fazem parte do nosso cotidiano. Todo mundo tem que se preocupar com o meio ambiente, não só os ecologistas. Cada pescador que vai até a beira do rio tem que recolher o lixo produzido e compreender que a lixo deixado lá vai prejudicar a comunidade. Não temos saída além de continuar o processo de conscientização das pessoas e exigir medidas eficazes das autoridades.
Fernando César da Silva empresário e membro-fundador da Associação de Pescadores Conscientes (APC) de Santo Antônio da Platina.
Maringá tem problemas, mas no momento tem muito o que comemorar, especialmente diante do interesse da população em discutir os problemas do setor. Uma pesquisa mostrou que 93% da população de Maringá quer participar das discussões sobre o meio ambiente. As pessoas estão preocupadas com a preservação e recuperação do meio ambiente. Este interesse é um aspecto muito positivo porque contribui para as políticas emergenciais e futuras em prol do meio ambiente. A realização do 1º Fórum do Meio Ambiente e da 2ª Feira Regional do Meio Ambiente, que iniciam hoje, em Maringá, é uma demonstração de que o assunto está sendo amplamente discutido pela sociedade.
Marino Gonçalves secretário municipal de Meio Ambiente de Maringá
Acredito que temos que comemorar um novo ímpeto, uma nova idéia e realmente partirmos para a conservação ambiental. Aquilo que está destruído nós precisamos recuperar. Porém, na verdade, ainda não há grandes fatos a serem festejados. É necessário criar uma nova consciência em toda população e, para isso, estamos criando o Departamento de Educação Ambiental, pois entendemos que é necessário ter uma nova mentalidade. Nosso trabalho será iniciado pelas nossas crianças que serão as responsáveis por termos um futuro melhor relacionado ao meio ambiente. Além das crianças, é muito importante contarmos com a colaboração de toda população, afinal, todos devem se preocupar.
Paulo Carlesso secretário municipal do Meio Ambiente de Cascavel
Há muito pouco a se comemorar, mas considero que houve algum avanço, principalmente nesse ano, com a ecologia-política, conhecida como uma ciência cidadã. Podemos ressaltar também um avanço em relação ao Ministério do Meio Ambiente, que tem promovido uma maior aproximação entre o Fundo Nacional do Meio Ambiente e as ONGs, que necessitam estar melhor preparadas para o desenvolvimento de seus projetos. Porém, não podemos esquecer que os desastres ambientais continuam ocorrendo. Por isso, precisamos de uma atuação mais efetiva de toda população, onde cada pessoa encontre em si seu potencial de cidadão.
Marcelo Bresolin membro da Associação de Defesa e Educação Ambiental de Cascavel (Adea)
Temos motivos para comemorar sim. As três empresas que conquistaram o ISO 14001 do Sistema de Gestão Ambiental Sanepar, Furnas e Hotel Tropical das Cataratas apontam para um bom trabalho na preservação do meio ambiente em Foz do Iguaçu. Os maiores problemas ecológicos da cidade continuam ligados a questões sociais, como lixos depositados em locais de preservação e invasões das áreas de mananciais. São 5 mil famílias vivendo em pontos proibidos na cidade. Para resolver isso, temos que realizar ações conjuntas com outros setores da administração pública. A nossa parte é fiscalizar, orientar e organizar atividades ambientais, como mutirões para limpezas, por exemplo.
Sérgio Caimi secretário do Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Foz do Iguaçu.
O que a região mais tem a comemorar é o fato de ter sido colonizada por tropeiros, que não tinham interesse em transformar os campos em áreas de lavoura. Para eles, os Campos Gerais eram um verdadeiro oásis porque tinham condições ideais para alimentar o gado. Por esse motivo, o ecossistema da região ainda encontra-se preservado. A organização da sociedade civil, que começa a discutir assuntos relacionados à preservação do meio ambiente e desenvolver ações nesse sentido, também tem que ser ressaltada.
Jorge Demiate secretário municipal de Turismo e Meio Ambiente de Ponta Grossa.
O ecossistema da região está bastante ameaçado. Hoje nós vemos uma grande preocupação das autoridades ambientais em preservar a Mata Atlântica, a Amazônia e o Pantanal, enquanto os ecossistemas menores ficam esquecidos, como acontece com a nossa região. Como o impacto visual provocado pela transformação de uma área de campo em plantação de soja, por exemplo, não é tão agressivo quanto a derrubada de árvores numa área de Mata Atlântica, as pessoas acabam nem se dando conta do tamanho do dano que está sendo provocado na região. Hoje nós temos pouquíssimas áreas de campo ainda preservadas.
Edmar Garcia integrante do Grupo Ecológico dos Campos Gerais e representante da Ong no Conselho Gestor do Parque Estadual de Vila Velha.
Aos poucos, a humanidade está concluindo que a natureza é finita e de recursos esgotáveis. Este é o primeiro passo para se mudar o estúpido modelo de crescer a qualquer custo. Nunca o mundo esteve tão certo e tão próximo dos perigos que oferecem um ambiente desequilibrado. Em Londrina, como exemplo, a cidade retoma a discussão ambiental como uma prioridade social ao fazer sua primeira conferência sobre o assunto e eleger um conselho popular de meio ambiente. As pessoas começam a entender que a questão ambiental é antes de mais nada uma questão social. As consciências avançam. Temos que comemorar. Sou otimista.
Luiz Eduardo Cheida presidente da Autarquia do Meio Ambiente de Londrina
A tomada de consciência do homem em nível internacional é um grande avanço. Temos que pôr em prática aquela velha máxima dos ambientalistas: pensar globalmente e agir localmente. Não podemos esquecer que o grande problema é causado pela somatória dos pequenos problemas. Minha satisfação é ver que as Ongs são cada vez mais ouvidas pelos governos e pelos organismos internacionais, que usam o terceiro setor para avalizar financiamentos na área, por exemplo. Outro ponto que me anima é a vontade política de se aplicar a Agenda 21 em Londrina e a entrada em funcionamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente, duas medidas importantes na aplicação de uma política ambiental para o município, uma coisa ainda inédita.
João Batista Moreira Souza presidente da ONG Patrulha das Águas, de Londrina
VERDE EM EXTINÇÃO





