Dia Internacional dos Trabalhadores
Neste dia 1º de maio, comemora-se 111 anos da festa internacional da classe trabalhadora. Que lembranças permanecem na memória dos trabalhadores sobre a história deste dia? Quais as lutas e reivindicações da atualidade? Haverá lugar, no futuro, para um Dia Internacional do Trabalho? São perguntas que trabalhadores, sindicalistas, historiadores e cientistas políticos se fazem a todo momento.
A tradição desse dia pode ser vista a partir de dois prismas: um, voltado para as comemorações festivas, e outro, dedicado às lutas por conquistas sociais. O dia de festa está ligado a um ritual muito antigo. Os romanos, ainda antes de Cristo, comemoravam o 1º de maio como uma data solene dedicada às deusas Flora e Maia, em eterno agradecimento à abundância das flores e dos cereais.
A festa simbolizava o anúncio do auge da primavera na Europa e de um tempo de felicidades. Esse era um dia sagrado em que se suspendia até mesmo o trabalho dos escravos. Na Idade Média, a comemoração da data também estava ligada aos aspectos bucólicos. Camponeses tinham o hábito de realizar grandes festas para agradecer a colheita e comemorar com imensa alegria o que a natureza lhes proporcionava. Entre os operários dos tempos modernos essa tradição festiva também permaneceu. E talvez a explicação para isso seja o fato de que a classe operária que se formava, sobretudo nos séculos XVIII e XIX, fosse de origem camponesa. A festa é um dos costumes mais arraigados entre as populações do campo.
Mas o 1º de maio é uma data marcada, sobretudo, pela luta e reivindicação dos trabalhadores por direitos sociais. Historicamente, o primeiro dia de maio é comemorado como Dia Internacional do Trabalho desde 1890. Foi nesse ano, que pela primeira vez, trabalhadores da Europa e dos Estados Unidos fizeram manifestações organizadas visando conquistar a redução da jornada de trabalho para oito horas. De lá para cá, a cada primeiro de maio novas reivindicações são colocadas em pauta: liberdade para os sindicatos, salário mínimo que atenda às necessidades sociais e de vida, férias, descanso semanal remunerado, entre outros direitos.
No Brasil, tem-se notícia que a primeira vez que o Dia do Trabalho foi celebrado foi em 1895, num manifesto organizado pelo Centro Socialista de Santos. Em 1917 estouraram as grandes greves operárias em defesa da jornada de oito horas de trabalho, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. O movimento foi vitorioso e o governo decretou a redução da jornada de trabalho.
Oficialmente, a data tornou-se feriado nacional de 1925 em diante, quando o presidente da República, Arthur Bernardes, baixou decreto reconhecendo a data como Dia do Trabalhador. É certo que a instituição do feriado de 1º de maio no Brasil fazia parte de uma manobra dos políticos da República Velha para ficarem com os méritos das lutas e das conquistas dos trabalhadores. Entretanto, manobras à parte, exclamava também uma vitória desses homens e mulheres que labutavam o dia todo e o seu reconhecimento enquanto uma classe social que tinha uma importância decisiva para a vida da Nação.
Mas, e neste princípio de século e milênio, há lugar ainda para uma data como essa? Há algo a se comemorar? Não, dirão os pós-modernistas e céticos de plantão. Sim, dirão outros, saudosistas, regozijando um passado que não volta mais. É verdade que reivindicações do tipo melhoria da qualidade de vida, das condições de trabalho ou mesmo aumento de salários perderam suas forças históricas.
Como falar desses temas quando o mundo e o Brasil, mais particularmente, assistem ao desenfreado aumento do desemprego, fruto em parte da robotização de empresas, da modernização da agricultura e da veloz transmissão de dados e informações ou vêem as economias nacionais sendo desmontadas numa constante e pernóstica globalização centralizadora das riquezas mundiais? É nesse cenário que uma nova agenda trabalhista e cidadã precisa ser fundada.
A luta, hoje, é mais pela soberania nacional. Vivemos uma lamentável situação econômica e social com forte dependência do capital especulativo internacional. Portanto, já não devemos lutar apenas por aumentos salariais, pois não resolve o problema do trabalhador.
A luta é mais ampla, é pela cidadania. Transformar a política econômica visando ampliar os parques industrial e tecnológico brasileiro, coibir a especulação financeira, estabelecer um projeto de reforma agrária coerente com os anseios da população e implementar fortes políticas sociais são medidas fundamentais e necessárias para retomar o desenvolvimento do País e diminuir o número de pessoas que vivem as agruras da exclusão social. E para isso não precisamos de nenhuma revolução. Basta vontade política. Afinal, um outro mundo é possível!
- ANGELO PRIORI, Doutor em História, é presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (Aduem)
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