Dia internacional de combate à corrupção
Infelizmente, não temos nenhum motivo para regozijarmos nesta data
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
Infelizmente, não temos nenhum motivo para regozijarmos nesta data
Ludinei Picelli 

No dia 9 de dezembro, o mundo mais desenvolvido comemorou o dia internacional no combate à corrupção. Segundo o ranking da Transparência Internacional, estão nesse pelotão de vanguarda da probidade Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega, Singapura, Suécia, Holanda e Alemanha.
Infelizmente, não temos nenhum motivo para regozijarmos nesta data. Muito pelo contrário, podemos considerar um dia de luto nacional, porque o Brasil, triste e vergonhosamente, ocupa 96ª colocação entre os 180 países listados. Também pudera, com esse sistema corrupto bem concatenado, fortalecido e convenientemente harmonizado entre os Três Poderes da República, o resultado não poderia ser outro. Por aqui, a certeza da impunidade é infalível e cada vez mais essa interdependência é alimentada por uma condescendência sem limites com as práticas delituosas. Essa organização da perversidade, que nos domina e que protege interesses mútuos em detrimento às necessidades prementes do país, está cada vez mais excluindo sorrateiramente do seu meio aqueles que ainda tentam combater o malfeito.
A esperança que nutrimos no passado, com o surgimento da Operação Lava Jato, o deão da maior instância do nosso Judiciário se encarregou de sepultá-la. A perseguição aos que se dispuseram a combater a corrupção foi covarde e implacável. O comprovado e confessado rombo bilionário no caixa da Petrobras foi uma realidade indesmentível e o perdão aos envolvidos no escândalo foi vergonhoso e deplorável, contando, também, com o beneplácito dos lacaios togados à disposição do sistema. Para rematar a tramoia, o protagonista mor dessa roubalheira nomeou, na caradura, o seu advogado de defesa para a suprema corte. Um tapa na cara dos brasileiros!
Outra fonte de corrupção que nos causa enorme perplexidade, pela forma da sua operacionalidade, são as emendas parlamentares. O Congresso Nacional insiste na manutenção da ausência de transparência na distribuição dessas verbas, sem nenhuma identificação do requisitante, de valores, da destinação do dinheiro e livre de possível rastreabilidade. Uma postura absurda e suspeitíssima; um descaramento afrontoso. Na Câmara Federal a ordem é de "só votar matérias do governo, se as emendas forem liberadas dentro dos padrões atuais, isto é, sem clareza e sem as informações exigidas", palavras, tais, ditas pelo seu principal dirigente. É de estarrecer tamanho cinismo, audácia e atrevimento; perderam definitivamente a compostura e o respeito pelo povo brasileiro. Inacreditável e inconcebível!
As consequências da impunidade estão evidentes; atualmente não temos nenhum político corrupto preso. Exemplo clássico que esses malfeitores não vão para a cadeia é o caso de um ex-presidente da República cassado, aquele conhecido por ter bloqueado a nossa poupança, em 1992. Há um ano e meio ele foi condenado em última instância por participar de um esquema de corrupção na ordem de 20 milhões de reais. Agora, todos os seus recursos protelatórios foram rejeitados pelo STF. Já poderia estar na cadeia, mas apresentou, pasmem, o embargo dos embargos e continua em liberdade. Nesse ínterim, alguns ministros da corte maior tentaram reduzir a sua pena para 4 anos, o que o livraria do regime fechado, cumprindo a pena em regime aberto ou prisão domiciliar. Uma prova cabal de que prender políticos corruptos está fora de qualquer cogitação.
Por fim, para completar esse quadro desolador, notícias recentes dão conta que pululam Brasil afora a prática ignominiosa da venda de sentenças judiciais. Em seis estados brasileiros o crime já foi detectado e está sendo investigado. Em um deles, cinco desembargadores já foram afastados da função, pilhados num negócio fraudulento de algumas centenas de milhões de reais.
São exemplos de escândalos como esses que remetem o nosso país ao fundo do poço. A sociedade brasileira está sufocada por sentir na pele as consequências dessa canalhice e por ter que assistir, fragilizada pelas circunstâncias, tamanha impunidade.
Oh, céus! O que estão fazendo com a nossa pátria!
Ludinei Picelli é administrador de empresas em Londrina


