O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Polícia Federal (PF) nem tinha acabado e jornalistas e população já se manifestavam sobre a importância do evento: um dia histórico para o Brasil. Sem dúvida trata-se de um fato inédito: um ex-presidente foi alvo de mandados de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor e depois liberado) e busca e apreensão em seu apartamento em São Bernardo do Campo. Ação inimaginável anos atrás, quando Lula costumava sair ileso de quaquer denúncia ou má ação que lhe era atribuída.
Em entrevista coletiva concedida após ser liberado, o ex-presidente mostrou a mesma arrogância de sempre. Disse estar indignado pelo fato de delegados da PF terem aparecido em sua casa às 6 horas, acusou a Justiça de prepotência, arrogância e de armar um espetáculo de pirotecnia. Também como argumento de defesa está o velho e batido discurso: o da "tentativa de criminalizar o PT" e que a elite não aceita as melhores condições de vida que ele mesmo garantiu aos pobres do País. Desta forma, adota-se a mesma tática, a de desqualificar o fato e seus acusadores ao invés de explicar as acusações. Estaria Lula acima do "bem e do mal", das leis e da própria Constiuição?
Se a legislação garante direitos e deveres iguais a todos os brasileiros, a resposta é não. Além de desbaratar um esquema bilionário de desvio de dinheiro da Petrobras, outro grande mérito da Operação Lava Jato é mostrar à população que "ricos e poderosos" também são presos e pagam por seus crimes, ao contrário da velha crença popular. Talvez essa ação tenha contribuído para reacender a "chama da esperança" nas pessoas, de que o País possa viver dias melhores.
Portanto, se essa sexta-feira entrará para a história, só o tempo dirá. No entanto, esse dia já pode ser considerado um marco e é importante que a sociedade reflita e discuta inclusive a legitimidade da presidente Dilma Rousseff (PT) em continuar a comandar o País. Depois do depoimento do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em delação premiada, que envolve a presidente é preciso responder a algumas questões. Há legalidade, já que a sua reeleição foi beneficiada por parte dos recursos desviados da Petrobras? Ela reúne as condições morais e éticas para continuar a ocupar a presidência? São questões importantes que merecem uma manifestação mais efetiva dos brasileiros.

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