Apesar de comemorarmos hoje o Dia do Trabalho, feriado nacional conforme a Lei nº 662/49, a maioria dos trabalhadores desconhece o real sentido para a conquista desta data, decretada em 1889 no encontro denominado Congresso Operário Internacional, em Paris,como o Dia Internacional dos Trabalhadores. Um dia histórico de luto e de luta.
Tudo começou em Chicago (EUA), no dia 1º de maio de 1886, quando 500 mil trabalhadores, em manifestação pacífica, foram para as ruas reivindicar a redução da jornada de trabalho diária para oito horas, pois eram obrigados a trabalhar 12, 14 e até 18 horas por dia, quando houve uma violenta repressão policial, que feriu centenas e matou dezenas de operários. Quatro dias depois ocorreu nova manifestação, e os trabalhadores foram novamente reprimidos, com a prisão de oito líderes quando, em um falso julgamento, cinco foram condenados à forca e três à prisão perpétua. Um deles foi assassinado na prisão, outros quatro enforcados e os outros três foram soltos por um júri especial, dois anos depois.
A exploração do trabalhador era extremamente abusiva e seu tratamento desumano. Bem antes, em 1819, depois de uma carnificina, quando a polícia atirou com canhões contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou uma
lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores, com idade entre nove 16 anos. Em 1857, também em uma manifestação pela redução da jornada de trabalho, 129 operárias da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque, foram mortas violentamente. Elas cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos exigindo uma jornada de 10 horas, na primeira greve conduzida somente por mulheres. Os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica com elas dentro e atearam fogo. Morreram todas carbonizadas.
Vivemos num país predestinado por Deus, com um povo trabalhador e ordeiro, mas que exige uma urgente correção de rumos. Não há democracia onde as oportunidades são desiguais, principalmente de educação e acesso ao mercado de trabalho. Felizmente, aumentam a cada ano as matrículas escolares e já temos uma Universidade Virtual Pública, a UniRede, que em breve criará centenas de milhares de novas vagas para o curso superior. Criamos recentemente os Juizados Especiais e as Comissões de Conciliação Prévia para garantir e agilizar a Justiça Trabalhista. Já temos um forte movimento no Congresso contra o racismo e a discriminação das minorias. Nossa economia não está indo tão mal como a da Argentina, mas deixa a desejar no segmento de criação de novas oportunidades de emprego, de renda e da melhor distribuição da riqueza. Ora, todo trabalhador perde a sensação de dignidade, se ele não tem emprego e garantias de segurança econômica para cuidar da sua família.
O nosso maior desafio, por isso, é alterar este quadro de injustiças com o trabalhador brasileiro. Assim como sem educação não existe Nação, sem emprego não existe família, bem estar social, desenvolvimento e segurança pública.
WERNER WANDERER deputado federal pelo PFL

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