Dia do médico
Hoje celebramos São Lucas, o terceiro dos evangelistas, o qual exercia também a medicina e, por isso, é padroeiro dos médicos cristãos. A palavra médico, de origem latina, tem sua raiz em medicamen in e quer dizer remédio que se consegue das ervas, para curar. Portanto, médico há que ter a ciência de entender a doença e a arte necessária para preparar o que ajuda a natureza a debelar o mal, a doença. Assunto importantíssimo este, e merece séria meditação.
Há que se admitar temer e venerar aquele que tem tão sublime missão, sem esquecer que não podemos separar a medicina da religião, a ciência da fé, sem incorrermos em muitas imperfeições, de modo especial no campo da psicologia, psiquiatria e parapsicologia. Carl Jung não hesita em afirmar: Parece-me que o aumento considerável do número de neuroses em nossos dias corresponde ao declínio da vida religiosa. E diz mais: Durante 30 anos (...) tratei de centenas de pacientes (...) nenhum deles foi verdadeiramente curado sem ter antes encontrado de novo as suas idéias religiosas. E assim, não estaríamos exagerando ao pedirmos cautela na escolha de seu psiquiatra ou analista, pois não basta a fama de sabido, é preciso também pôr-se ao par do gênero de filosofia que professa. E Einstein: A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega.
São Basílio Magno, no ano 350 da nossa era, na questão 55 das Regras Monásticas, pergunta: A medicina pode ser usada?. E responde que sim: Deus nos concedeu o auxílio das artes para nos ajudar e entre elas está a medicina. Não foi à toa que as ervas medicinais apareceram (...) É ilógico opor-se a um dom de Deus, só porque alguns o empregam mal. Seria irracional colocar nas mãos do médico a esperança da saúde (...) mas seria também obstinação ser inteiramente avesso aos bens que a medicina traz. Portanto não evitemos esta arte nem tampouco coloquemos nela toda a nossa esperança.
No segundo Livro de Reis há uma comprovação: Ezequias, Rei de Judá 700 anos antes de Jesus, foi atingido por uma enfermidade mortal. O profeta Isaías foi visitá-lo e em nome do Senhor lhe diz: Não sararás. Ezequias, inconformado, recorre à oração. E o Senhor dá nova ordem a Isaías. Diga a Ezequias: ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas. Isaías então orou e disse: Trazei-me massa de figos. Trouxeram-na, ele a aplicou sobre a úlcera e o rei ficou são.
São Basílio Magno esclarece: Perigo não pequeno há em cair no erro de pensar que toda doença reclama os subsídios da medicina. Nem todas as doenças provêm da natureza (...) há doenças fruto de pecado. E Tiago: Está enfermo algum de vós? Chamem o sacerdote da Igreja, que rezará sobre ele, ungindo-se em nome do Senhor e a oração da fé salvará o enfermo. Mas, chamem também o médico: Se estiveres doente (...) ora ao Senhor (...) afasta-se do pecado (...) em seguida dá lugar ao médico. E a medicina é certamente uma vocação: A uns é concedido, por meio do espírito, o dom das curas.
Agradecemos o progresso dos esculápios de hoje, que não conseguiram ainda desdizer a máxima antiga: Contra vim mortis non est medicamen in hortis (Não há medicamento ainda contra a morte) mas, que certamente nos livraram do tempo da sogra de Pedro: A sogra de Pedro caiu doente. Pedro chamou logo um médico. No entanto, charlatães orientais se aferravam aos mais estranhos remédios. As receitas consistiam em cinzas de crânio de lobo carbonizado, cabeças de ratos, miolos de corujas, fígado de rãs, piolhos de elefantes. Quer livrar-se um resfriado? Beije o nariz de uma mula. Várias receitas para amenizar as dores de dentes: rãs cozidas em vinagre, saliva de cavalos selvagens, leite materno e urina de bezerros não desmamados. E para as cólicas? Gordura derretida de coelho. E para a bexiga? Rins de burro com gordura de ratos. (A maior história de todos os tempos, de Fulton Dursler).
Do enfermo para o médico, esta é a oração: Doutor! Cuide de mim como se eu fosse Jesus, ou melhor, cuide de Jesus em mim e passe a receber o prêmio por Ele prometido: Venha bendito do meu pai, tome posse do Reino que te preparei, porque Eu estava enfermo e cuidaste de mim (Mateus). Cuide de mim com amor e competência, como o Senhor gostaria de ser atendido. Não frustre a minha esperança de ter uma rápida melhora através de sua competência e dedicação. Fique certo que lhe serei muito grato, lembrando-se sempre numa prece.
- PADRE ARISTIDES DERETTI, Londrina





