Comemora-se tradicionalmente no dia 18 de outubro o Dia do Médico. Médico, por definição, é a pessoa que exerce a medicina que por sua vez se constitui em um conjunto de atividades técnicas e científicas que tem por finalidade a prevenção (medicina preventiva), a cura (medicina curativa) e o alívio das doenças. Procura por vários modos manter a saúde física e mental do ser humano. O médico, no exercício pleno de sua profissão, autorizado que foi pela sociedade, através das escolas de medicina, possui um incalculável poder sobre o enfermo, perplexo e impotente frente a doença que o acomete, muitas vezes em pleno estado de saúde.
Muito se tem falado e escrito sobre este papel do médico, a ética médica, seu comportamento frente a estrita relação com o paciente, que é necessária para que o resultado (prevenção ou cura) seja conseguido. Inúmeras vezes, nem a prevenção e nem a cura são alcançados, e daí temos a figura do médico que consola, que alivia a dor do sofrimento.
Desde Hippokrates (460 a.C.) o pai da medicina, e Esculápio (o deus da medicina segundo a mitologia grega), até as modernas diretrizes da ONU, há os juramentos, códigos etc., que norteiam a ética e a profissão médica. Isto posto, gostaria de aqui deixar registrado um credo, escrito em 1970 pelo eminente professor emérito da Universidade de São Paulo, Luiz V. DScourt, pai da cardiologia brasileira, com o qual tive a honra de conviver e de receber os ensinamentos do meu aprendizado científico, cultural e humano:
‘‘Creio na medicina, que é o ato contínuo de aprimoramento; que evita, na sucessão dos dias, o aniquilamento de um patrimônio cultural que é a própria razão de seu mister; que não cessa de buscar, nos homens e nos livros, a forma correta de se exercer;
Na Medicina que exige o fato atual, mas não o recebe com passividade; que analisa o dado novo pela segurança das medidas que o forneceram e através da experiência conseguida. Medicina que defende, mas não reverencia a própria opinião; e que aceita a informação, se adequada, provenha ela de autoridades consagradas ou de humildes trabalhadores;
Na Medicina que procura não apenas o combate à doença e sua prevenção, mas também o avanço do conhecimento científico; que investiga, compara, discute e conclui. Não tanto para a exaltação do próprio prestígio, como para o progresso do homem, porque sabe que a recompensa do investigador não é a obtenção de prêmio, mas o privilégio de ter trazido seu grão de areia ou seu tijolo ao sempre renovado edifício da verdade científica;
Creio na Medicina, que é ato de resposta às necessidades de Pátria. Medicina lúcida e vigilante, atenta aos problemas nacionais e apta para intervir. Medicina responsável e solucionadora, que não aguarda o chamado da coletividade, mas procura atuar antes desse apelo;
Nunca deformada por estreita visão do local em prejuízo do universal; nunca amesquinhada por demagogia ou por interesses pessoais; nunca aviltada por ideologias políticas corruptas e corruptoras;
Creio na Medicina, que sendo técnica e conhecimento, é também ato de solidariedade e de afeto; que é dádiva não apenas de ciência, mais ainda de tempo e de compreensão; que sabe ouvir com interesse, transmitindo ao enfermo a segurança de que sua narração é recebida como o fato mais importante desse momento. Medicina que é amparo para os que não têm amparo; que é certeza de apoio dentro da desorientação, do pânico ou da revolta que a doença traz.
Na Medicina que serve os doentes e nunca se serve deles’’
O Credo da Medicina, deste ilustre médico, se presta bem para uma reflexão, nos dias de hoje.
- PEDRO ALOYSIO KRELING é médico e professor universitário em Londrina

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