Dia do Assistente Social
Dentro do contexto da história, a assistência social é considerada uma profissão nova. Ela nasce a partir da necessidade do atendimento social, inscrito como tarefa pública do Estado, no final do século XIX. Isto ocorre porque a questão social passa a exigir um atendimento sistematizado e não é mais possível deixá-la restrita, tão-somente, a ações de caridade e filantropia. Este novo aspecto de atendimento público carrega de imediato a necessidade da definição de políticas sociais públicas.
A ordem instalada na sociedade, cuja base é a economia de mercado, considera o próprio homem uma mercadoria. Isto se dá na medida em que o ser humano para sobreviver se obriga a vender o seu trabalho diário. Esta força empregada para produzir coisas passa a ter o mesmo tratamento negocial dado às coisas. Esta concepção não vê com bons olhos qualquer política, aí inclusas as políticas sociais, que desperte o homem para os direitos inerentes à sua condição de ser humano. E por tabela também não é valorizado o profissional incumbido de implementar estas políticas.
Também é preciso considerar que no decorrer da história, a área das políticas sociais, e em especial a assistência, tinha uma outra concepção. As ações filantrópicas de socorro e ajuda imediata, desenvolvidas em geral por voluntários ou entidades de cunho caritativo, são tão antigas quanto o homem. A prática da caridade para com o próximo era o único balizador destas ações. A preocupação era suprir a necessidade instantânea e inadiável de alguém, sem, entretanto, buscar alternativas para resgatar tal pessoa de uma situação degradante.
Um outro procedimento em relação ao atendimento de necessitados diz respeito à exploração da miséria feita por pessoas inescrupulosas. Não são raros os que se aproveitam da situação caótica em que vive uma imensa parte da população para fins político-eleitoreiros. Eles passam por pai dos pobres quando, na verdade, estão perpetuando o drama humano da exclusão social. Ao conferir um estatuto profissional à área assistencial, de pronto se estabelece uma outra ótica e também se inibe a prática criminosa dos aproveitadores.
No início do século XXI é necessário e urgente resgatar o valor do homem como um ser de direitos. Nisto pode contribuir de forma efetiva a profissão do serviço social enquanto formadora de agentes capazes de ajudar na definição e gestão de políticas sociais como direito. O reconhecimento de todo ser humano como cidadão ultrapassa em muito a visão de um ser que vale apenas um voto ou pelo que produz. Ou ainda, nos padrões de hoje, pela quantidade e qualidade dos bens que pode consumir.
Diante deste quadro, celebrar neste 15 de maio o Dia do Assistente Social não pode ser apenas um momento para prestigiar os profissionais da área. Deve ser uma oportunidade em que toda a sociedade reflita sobre formas atuais para implementar ações para a proteção social. A superação do recorte estreito em relação ao ser humano demanda que estas ações, além de propiciar a inclusão na partilha dos bens produzidos, também devolvam ao ser humano a auto-estima, ajudando a solidificar democracias.
- SELMA MARIA SCHONS é assistente social, professora universitária e vereadora pelo PT em Ponta Grossa





