Dia de combate à barbárie do feminicídio
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segunda-feira, 22 de julho de 2019
Folha de Londrina 
O dia 22 de julho, data do assassinato da advogada Tatiane Spitzner, ocorrido em Guarapuava, no ano passado, foi instituído como o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. Spitzner foi encontrada morta depois de uma queda do quarto andar do prédio em que morava com o marido. As imagens das câmeras mostraram agressões. Ele foi preso horas depois de fugir, em São Miguel do Iguaçu.
O caso trágico foi escolhido para simbolizar a luta de mulheres vítimas de violência e de familiares daquelas que não sobreviveram às agressões. Os números oficiais dos órgãos de segurança pública sobre a incidência do crime são alarmantes. Em todo o país, houve 2.688 relatos entre janeiro e junho de 2019 — quatro vezes mais do que os 645 registrados no mesmo período de 2018. Durante todo o ano passado foram 2.211 chamados.
O aumento das denúncias que chega a 300% na comparação entre os primeiros semestres deste ano e do ano passado, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA, pode ser onde um indício de maior conscientização sobre o tema, mas também um possível sinal de retrocesso. O Paraná segue a tendência nacional com alta nos últimos anos. Segundo informações da Sesp (Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná), foram registradas 61 ocorrências em 2018 — 49% a mais do que em 2017, que teve 41 casos.
Juristas apontam também que, como o crime só pode ser definido como feminicídio ao fim do processo judicial, as estatísticas apresentam subnotificação dos casos. Nos rincões do País, onde muitas vezes não há ao menos um delegado exclusivo para atender determinadas cidades, o feminicídio faz parte do cotidiano e inúmeros crimes deixam de engrossar as estatísticas. Já nos grandes centros, nem mesmo as delegacias especializadas que obtêm bons resultados no combate, apesar de suas limitações, conseguem inibir a escalada de violência contra as mulheres.
Casos como a de uma mulher de 40 anos, morta a facadas em Florestópolis (Região Metropolitana de Londrina), no início deste mês, servem como alerta para o nível de barbárie, cada vez mais comum na sociedade. O caso ainda está sendo investigado, mas a mensagem deixada na barriga da vítima, uma advertência sobre os perigos de se “mexer com o marido”, deve ser vista como algo abominável e ser combatida na forma da lei e da prevenção.
Dar a devida atenção ao relato de mulheres que se sentem em situação de risco é o primeiro passo para evitar um futuro feminicídio. Como a violência é progressiva, não há como relevá-la. As denúncias de tentativa de feminicídio podem ser realizadas pelo Ligue 180 — serviço de atendimento à mulher em situação de violência mantido pelo MMFDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos).
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