Age de acordo com as suas atribuições a Câmara de Vereadores de Londrina ao intervir mais rigorosamente no caso da greve prolongada dos servidores municipais. Depois de tentar obter, sem êxito, informações sobre funcionários terceirizados e cargos comissionados, os vereadores querem agora fazer essa cobrança de forma oficial e estipular o prazo de 15 dias para a resposta. A aprovação desta decisão deve ocorrer hoje. Uma providência como esta já estava tardando, porque se o prefeito é um representante do povo no poder, muito maior é essa incumbência de parte dos membros do Legislativo, que existem também para intervenções dessa natureza. Se o chefe do Executivo se omite diante da greve, não só a Câmara precisa mobilizar-se mas também o Ministério Público - que existe com a função de defender a sociedade (que ora está sendo prejudicada) - e todas as demais representatividades sociais da comunidade. Na seção de cartas deste Jornal sugestões têm sido dadas para que o novo arcebispo de Londrina intervenha como mediador entre as partes em litígio, mas será atribuir responsabilidade demais a quem há tão pouco tempo está na cidade. Este papel precisa ser desempenhado principalmente pelas tradicionais representações classistas, obviamente que sem a exclusão dessa nova liderança representada pelo titular da Igreja Católica. Os vereadores querem obter do prefeito também informações sobre a receita e sobre o custo do pessoal. Porque, desde o início da greve, o chefe do Executivo tem declarado que não há verba para atender à reivindicação de 27% de reposição salarial. Será preciso ir fechando o cerco para uma clara definição tanto por parte do prefeito como do presidente do sindicato dos servidores - este o que deflagrou e vem sustentando a paralisação. Ambos têm responsabilidade com o atendimento à comunidade nos setores de saúde, educação e prestação de outros serviços como o fornecimento de alvarás, atestados de ''habite-se'' e tudo o que empresas e cidadãos buscam na Prefeitura. Se as partes não se entendem, as forças externas precisam entrar em ação. Como faz agora a Câmara de Vereadores. Já deveria ter sido eliminado antecipadamente o mal da própria greve, se o poder público houvesse negociado ao longo dos últimos cinco anos (tempo contabilizado como sem melhoria de salários) porque sabedor da possibilidade de essa paralisação eclodir a qualquer momento. É inadmissível que a ausência de diálogo e de transparência tenha chegado a esse ponto de impasse.

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