É dever do governo do Estado revelar os verdadeiros números do pedágio, porque os que se tem são os das concessionárias, e eles são genéricos e podem estar revestidos de caráter propagandístico. No caso do Paraná, o núcleo regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) afirma que os consórcios do pedágio já investiram R$ 750 milhões em benfeitorias, nas rodovias do Estado. Porém não dizem especificamente quais são essas obras, de forma a que possam passar pelo crivo de avaliadores especializados. Naturalmente que essa soma de dinheiro é considerável, e os engenheiros de obras rodoviárias sabem o quanto é possível fazer com tão elevada quantia.
Neste pouco tempo que antecede o fim do atual governo que foi o instituidor do pedágio no Paraná e quando o sistema completa três anos e meio de arrecadação, é tempo de os usuários serem informados sobre quanto as concessionárias arrecadaram, quanto realmente investiram e quais são as obras, porque até agora não se viu nada de espetacular. A população tem o direito de saber onde está aplicando o seu dinheiro, que deve somar um volume astronômico, pela amostragem que se tem do movimento das rodovias e pelas elevadas tarifas. Também deve interessar aos candidatos ao governo do Estado a realidade do que irão herdar, porque chegará o momento em que o povo irá exigir prestação de contas.
As concessionárias afirmam que os usuários estão satisfeitos, e mostram dados de pesquisas cujos critérios se desconhece. O que se sabe, pela manifestação pública de usuários, é que não há ninguém a favor do modelo de pedágio implantado no Brasil, que caracteriza uma pesada bitributação, eis que já existe a bateria de impostos sobre o fabrico e uso do veículo automotor, uma receita mais que suficiente para a construção e manutenção das rodovias se não fosse desviada para outros fins, como ocorre. Já é chegada a hora de se conhecer os reais números do pedágio, de forma transparente, para que não prevaleça o sofisma da maquiação de dados e se saiba afinal qual é a verdade por inteiro. É do governo o dever dessa explicação.

mockup