Dever de todos de preservar as águas
A cada seis pessoas no mundo duas não têm acesso a água boa. A realidade mostra números ainda mais alarmantes: 40% da humanidade não desfruta de saneamento básico. No Dia Internacional da Água, que se celebra hoje, é oportuno relembrar que temos a obrigação de zelar por ela em todos os momentos que formos utilizá-la, porque se trata de um precioso patrimônio e um dom da vida. Os alertas sensatos são de que a grande disputa do futuro, no mundo, não será pelo petróleo (que terá substitutos alternativos) e nem pelo alimento (que já é produzido com suficiência para todos) e sim pela água potável.
A maioria das pessoas ainda não tem consciência de que a água pura, que é limitada, irá escassear se não houver controle do uso e se a sua integridade não for preservada. Há poluição dos mananciais e pouca economia dos consumidores, mesmo que sejam eles os pagadores do quanto consomem. O problema mais grave é universalmente conhecido: a contaminação por produtos químicos, por conta de indústrias, e também das aplicações de inseticidas nas lavouras e que acabam escoando pelas correntes da chuva e se aninham nos córregos e rios. Nos próximos 50 anos, segundo estudos técnicos, todas as vertentes de água doce no mundo estarão ativadas, o que significa o limite, não se podendo imaginar uma gota sequer de poluição e desperdício.
O Brasil, que é depositário de 10% de toda a água de beber que existe no planeta, corre risco idêntico, porque também a grande reserva representada pela bacia amazônica é esgotável. Além do mais porque é objeto de cobiça de nações dominadoras - e não apenas pela floresta e suas riquezas pertinentes mas também pela água. Se essas nações fazem guerras pelo petróleo, que é um bem secundário, as farão muito mais aguerridamente por causa da água, que é indispensável à sobrevivência de cada indivíduo.
Tem-se declarado que o problema da água é o do manejo inadequado, porque se todos souberem usar, a quantidade potável que hoje existe será suficiente. Mas desperdiça-se água demais, por culpa tão-somente da falta de conscientização do homem, e a que não passa pelos dutos domésticos no uso diário é poluída em seus leitos originais, pelo despejo de detritos venenosos. A água leva tudo, dizem os insensatos. E o que se assiste, cada vez mais desastradamente, são rios poluídos às margens dos núcleos urbanos, pelo lançamento de dejetos nocivos pela população e pelas indústrias, e também no meio rural, por conta dos agrotóxicos, que são levados até os mananciais aquíferos pelas enxurradas e pelo vento. Parece que o homem precisa assistir a uma grande calamidade, motivada pela escassez de água, para despertar para as agressões que comete a esse bem, dádiva divina, e só a partir daí conscientizar-se. Quando poderá ser tarde demais.





