Enquanto as atenções dos governantes e da população ficam centradas nos escândalos do PT e partidos que apóiam o governo, um outro mal de dimensão gigantesca continua ocorrendo, que é a destruição progressiva da floresta amazônica. Notícia de ontem dos jornais relata que um fazendeiro reincidente acaba de derrubar e queimar 2 milhões de árvores, no sudoeste do Pará, para transformar o campo em pastagem de gado. A derrubada de um volume tão grande de árvores, seguida da queimada, é um processo que demanda meses, não se compreendende como isso não foi detectado antes. Esse fazendeiro já foi multado no ano passado por devastar outra área da mesma terra, correspondente a 2.800 campos de futebol. Mesmo diante de tudo isto, não foi preso – e se tivesse sido não repetiria o que fez agora – e só responde a processo por crime ambiental. Favorecido por essa impunidade, a seguir ele foi mais ousado e derrubou o triplo do que havia feito. A área está dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio, criada este ano por decreto presidencial, portanto merecedora ainda mais de policiamento. Mas pelo que se constata, o Ibama – leia-se Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – não o fez. No ano passado a Amazônia já perdeu 26 mil quilômetros quadrados de floresta, a maioria em Mato Grosso, pela depredação de madeireiros e abridores de fazendas. O chefe de fiscalização do Ibama em Marabá declarou ser necessária a presença do Exército para reprimir a destruição cada vez maior da mata, porque essa instituição não tem fiscais suficientes para atuar dentro dos 8,5 milhões de hectares da Terra do Meio. Este Jornal tem apontado para a necessidade de intervenção das Forças Armadas, que são as encarregadas da segurança nacional, mas falta o comando para uma ousada operação de combate. Uma medida muito mais simples do que se supõe, porque basta a presença dos seus arsenais – no caso helicópteros, aviões e efetivos terrestres – para afugentar o mais ousado dos devastadores. Mas sem ação não há resultados. A nação não pode assistir a esse descalabro, tão ou mais grave que os escândalos da corrupção, e se o Brasil dispõe de um sistema de defesa com mais de 300 mil homens em armas e toda a base móvel – de alto custo – deve-se exigir essa mobilização. Não se pode aceitar o argumento do Ibama de que falta policiamento se as Forças Armadas estão disponíveis e têm, como função, justamente a guarda do território e suas riquezas. Criou-se no Brasil o conceito de que segurança nacional é apenas preservar as instituições, mas tal deve abranger também a vigilância das fronteiras, a preservação da floresta, a não-poluição pelo crime continuado que é o das queimadas, e também o tráfico de drogas, a bandidagem comandada pelo crime organizado e as próprias misérias sociais.

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