Nelson Araújo de Oliveira
Ao longe, pode se ver um fosco horizonte, envolto em nuvens ameaçadoras, sem nenhuma perspectiva de um futuro promissor. Pois, o homem a quem Deus criou a sua imagem e semelhança desvirtuou-se esquecendo o doador da vida. São poucos os que procuram o Deus verdadeiro, em relação a muitos dos que praticam uma fé duvidosa e que divinizam a criatura, menosprezando o Criador.
Com base em diferentes culturas teológicas, existe um enfrentamento de idéias entre um cristianismo que acredita somente na vivificação do corpo na ressurreição e outro que crê na imortalidade inerente do homem, sem entretanto, abandonar a idéia da ressurreição. Alguém chega ao absurdo de inverter os valores, afirmando que o nosso corpo físico é irreal. O corpo verdadeiro é o do espírito. Ao contradizer, assim, as leis naturais, ele contradiz também o Livro Sagrado dos cristãos. (Lucas, 24:39)
O ser humano, dotado do dom da palavra e da razão, dádivas divinas que o capacitam para o desenvolvimento intelectual, e que tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e mente para pensar, pode, com estes privilégios, racionalizar o plano divino da salvação proposto para o homem, através da santificação (Hebreus, 12:14), cuja ação restauradora direciona o homem para Deus. Na falta dessas diretrizes comportamentais é que muitos se embruteceram escandalizando-se; outros sodomizaram, prostituindo-se. Porque não lhes ensinaram o novo nascimento (João, 3:3); não lhes falaram sobre a santidade (I Pedro, 1:15-16) e nem sequer pediram para afastar-se dos costumes pecaminoso.
Poucos são os que procuram a verdade, porque é mais fácil conviver coma mentira. E é verdade também que o mundo está farto de pregadores de heresias. Por causa disso, o homem natural é facilmente corrompido, tornando-se injusto, egoísta e fraudulento. Nesta concepção, só têm valor os bens terrenos e o homem para produzi-los. Num mundo assim, onde a própria religião se harmoniza com os poderes seculares, caminhando passo a passo com a humanidade corrupta e fazendo alianças espúrias com o capitalismo selvagem, irrefutavelmente ela perde o poder de interpretar a sã doutrina cristã. Foi dessa maneira que o misticismo ilógico, as heresias e as superstições se apoderaram e se enclausuraram nos templos da fé. É, com raras exceções, que se crê num Deus que vivifica o corpo, que dá vida aos mortos em seus próprios túmulos (Ezequiel, 37:12).
Para a humanidade de modo geral, não resta mais esperanças. Porque já pleitearam e elegeram os deuses efêmeros deste mundo porque pregam falsamente endeusando o homem com a intenção de eternizar a alma ou espírito numa clara demonstração de anular a ressurreição, sucumbindo, dessa forma, a vivificação do corpo do Senhor Jesus Cristo. Se de fato existir no homem essa entidade imortal, ele não precisaria ressuscitar, pois se estaria fazendo-o igual a Deus (Timóteo, 6:16), podendo salvar-se por si mesmo - e não se fala mais em ressuscitar a matéria perecível. Seria ilógico propor ao homem a vida na ressurreição, se a existência dele permanece viva após a morte. É condição absurda ressuscitar alguém vivo. Seria, de fato, um retrocesso pré-histórico tirar almas do gozo paradisíaco e introduzi-las nos escombros dos sepulcros a fim de ressuscitar. Porque está escrito: ‘‘Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus’’ (João, 5:28). Esta é a ressurreição da vida, afirma o contexto do evangelho de João.
Não se pode conduzir, assim, ao terceiro milênio, um povo sedento da verdade, de modo a crer dubiamente na imortalidade da alma e na ressurreição. Já dizia o teólogo Oscar Cullmann: ‘‘A imortalidade da alma e a ressurreição são conceitos mutuamente excludentes; aceitando um, deve-se rejeitar o outro’’. Seria mesmo um contra-senso irreparável para o homem racional e inteligente acatar, ao mesmo tempo, ambas as proposições. Ao se aceitar a imortalidade, põe-se em dúvida a ressurreição de Cristo, anulando-se a promessa da vivificação do corpo, prometida nos Evangelhos. O apóstolo Paulo não acreditava na imortalidade inerente do homem quando afirmou: ‘‘Se não houver ressurreição, os que dormiram em Cristo estão perdidos’’. (I Cor. 15: 16-18).
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina

mockup