DEUS VAI À UNIVERSIDADE - Fé e razão podem se unir
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Habitualmente, notícias sobre estudantes universitários se referem a festas em repúblicas e problemas com vizinhos. O que pouca gente sabe é que existe uma minoria de católicos que também faz seu ''barulho'' na academia - de forma bem mais silenciosa. Rearticulada há dois anos e meio, a Pastoral Universitária (PU) está presente na UEL e na Faculdade Metropolitana, com objetivo de manter os princípios cristãos dentro dos campi. A seguir, a entrevista concedida pela acadêmica de Psicologia, Renata Maciel de Freitas, de 23 anos - que faz parte da PU desde que entrou na UEL, há dois anos e meio.
O que a levou a entrar na Pastoral?
Já fazia parte do grupo de jovens da Igreja e acredito que Deus pode habitar no meio universitário. A Pastoral me chamou a atenção por ser uma ação da Igreja dentro da universidade, dizendo que a fé e a razão podem se unir. Além disso, quer queira quer não, a gente sempre procura pessoas que pensam um pouco como nós. Então, é muito bom. É um lugar onde eu descanso na universidade. Temos o mesmo ideal, que é ser um bom profissional e, assim, amar o outro.
Quais as atividades?
Temos duas missas por semana, grupos de orações universitárias e adoração ao Santíssimo Sacramento. Fora os debates, festas de final de ano, missões universitárias e agora também um grupo de reflexão.
Há divulgação?
Na universidade, distribuímos cartazes, quando tem qualquer evento. E também no boca a boca, chamamos os amigos de classe, tudo mais.
Ser católico na universidade gera algum ''choque''?
Tem um choque sim. Ser crítico não quer dizer não acreditar em Deus, e às vezes tem muito isso: Ah, sou crítico, não aceito as coisas da Igreja e tudo mais. Boa parte dos universitários vê a religião como algo que vai aprisioná-los, algo que não deixa os estudantes livres. Nós não cremos nisso. Até mesmo os professores falam como se não fosse certo. Às vezes, passa-se a impressão de que ser muito intelectual é não acreditar em Deus. A coisa não flui tão facilmente, sempre tem uma certa resistência, um ''comentariozinho''. Por outro lado, tem gente que gosta, acha legal. Alguns que no início acreditam que não tem nada a ver, aparecem depois. É muito interessante.
É preciso uma certa coragem para ir às salas convidar para as orações...
Muita coragem, não é uma certa coragem, é muita. Teve uma experiência de oração no começo do ano e fizemos uma divulgação no Restaurante Universitário (RU), que é onde ficam todos os alunos. Então, a gente escutou coisas lindas mas também coisas do tipo: Então quer dizer que a gente precisa disso, quer dizer que os universitários precisam de oração? Como uma coisa um tanto agressiva, sabe... Então, tem que ter coragem sim, mas quando você acredita em alguma coisa, pouco importa o que o outro vai pensar daquilo que você acredita, porque faz bem.
O acadêmico da PU é diferente do acadêmico leigo?
Sim, sinto-me um pouco diferente porque meu foco, acima de tudo, é Deus. A faculdade é mais uma coisa nesse sentido. Eu quero estudar, ser uma profissional, para olhar para o outro com respeito. Isso que a Pastoral diz: se você quer ser médica, seja a melhor possível. Então, é ser diferente não por ser melhor, mas por percorrer um outro caminho.
Há outras religiões presentes na universidade?
Tem a Aliança Bíblica Universitária, que são os evangélicos, com uma participação boa, e os espíritas, que se reúnem nas segundas-feiras. Já fizemos um piquenique com os evangélicos. Com os espíritas a gente acaba não se encontrando, porque o dia-a-dia é muito corrido, mas não há nenhum tipo de problema.
Serviço:
Outras informações sobre a Pastoral Universitária no (43) 9903-2942 (Renata).


